28/Jan/2026
O mercado brasileiro de milho deve seguir operando com preços pressionados e baixa liquidez no curto prazo. A leitura predominante é de acomodação das cotações, com pouco espaço para reação mais consistente antes de março, mesmo diante de embarques acima do previsto em janeiro e de um câmbio que deixou de oferecer sustentação adicional aos preços. Os contratos futuros já se aproximam de um piso técnico. Na B3, valores próximos de R$ 65,00 por saca de 60 Kg já representam um fundo, enquanto o dólar em queda torna esses níveis bastante atrativos para o comprador. O mercado interno ainda pode operar em um ambiente de pressão e calmaria, enquanto a Bolsa de Chicago tende a se estabilizar após quedas mais acentuadas provocadas pelo último relatório de oferta e demanda.
No mercado físico, a dinâmica segue marcada por conforto do lado comprador e negócios pontuais. Armazenadores, cerealistas e cooperativas estão encaminhando milho para atender principalmente as indústrias, sem formação de grandes estoques. Com juros elevados, as indústrias evitam carregar produto. O milho entra para atender a demanda corrente e o fechamento ocorre apenas quando o mercado indicar alguma reação. Esse comportamento mantém o ritmo de comercialização travado, apesar da necessidade crescente de liberar espaço nos armazéns com o avanço da colheita da soja. O comprador está confortável, o estoque de passagem ainda é elevado e isso impede qualquer fôlego altista no curto prazo. O milho tende a permanecer lateralizado e pressionado até que novos fatores, como câmbio ou mudanças mais claras no balanço de oferta e demanda, alterem o quadro atual.
Em São Paulo, na região de Campinas, os produtores estão com maior intenção de venda, ao contrário dos compradores, que estão fora do mercado por estarem bem abastecidos. Se os compradores estivessem ativos no mercado spot, suas indicações seriam em torno de R$ 60,00 por saca de 60 Kg FOB. Ficar fora do mercado é uma estratégia dos compradores para, talvez, conseguirem preços mais baixos. Os vendedores indicam entre R$ 62,00 e R$ 64,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega imediata e pagamento em 30 dias. Para 2ª safra de 2026, as vendas são isoladas, visto que os produtores estão aguardando o fim da colheita da soja para entender as condições da próxima safra. Além disso, eles estão tentando comercializar o milho spot. Com execução em julho e pagamento em agosto, tradings indicam entre R$ 66,00 e R$ 67,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Santos.
Em Mato Grosso, na região de Primavera do Leste, o mercado é pontual. As usinas e fábricas de ração estão abastecidas para fevereiro. Via cooperativas, as indústrias indicam R$ 55,00 por saca de 60 Kg FOB, para retirada imediata e pagamento em 30 dias. Direto com o produtor, a indicação cai para R$ 52,00 por saca de 60 Kg FOB, em iguais condições. Quanto à 2ª safra de 2026, as negociações são pontuais. Os produtores se sentem mais confiantes para vender após a colheita da soja e o plantio do milho. As usinas de etanol indicam US$ 9,50 por saca de 60 Kg FOB, equivalente a R$ 50,00 por saca de 60 Kg FOB, na cotação atual, para embarque em julho e pagamento em agosto.