ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

20/Jan/2026

Possíveis impactos de escalada das tensões no Irã

Segundo o Itaú BBA, uma escalada dos conflitos no Irã ou a provável imposição de tarifas de 25% dos Estados Unidos a nações parceiras do país persa não deve afetar o mercado doméstico de milho a curto prazo. A preocupação é pequena no momento, até porque, sazonalmente, as exportações do Brasil ocorrem no segundo semestre, com os volumes maiores da 2ª safra. É nesse período que o Brasil destrava as exportações para o Irã e para outros destinos. Se a situação se estender até lá, é possível realocar o volume que iria para o Irã para outros clientes. Outra opção seria adotar um pedágio de preço. Se as tarifas realmente forem aplicadas, o Brasil poderia tomar um pedágio de preço, porque o Irã ainda paga um prêmio sobre a média da saca de 60 Kg milho em relação aos demais países compradores. Neste caso, os produtores brasileiros teriam de vender o milho por um valor menos atrativo para não ficar com o estoque parado.

Em caso de uma escalada nas tensões, o reflexo no mercado doméstico seria, a princípio, na logística. Nesse momento, essa questão não está em jogo. Mas, se fosse durante a 2ª safra de 2026, poderia acontecer de o navio não conseguir sair de lá ou não conseguir chegar lá para desembarcar a mercadoria, devido à importância do Estreito de Ormuz, passagem essencial para o escoamento e entrada de produtos no Irã. Seria um grande complicador para as rotas de navios, porque quando há conflitos nessa região, a passagem é fechada. Quanto à possível tarifa que os Estados Unidos podem impor aos países parceiros do Irã, o milho ficaria de fora da lista de produtos taxados. Geralmente, os alimentos não são taxados, e a população do país já está sofrendo. O milho brasileiro abastece a indústria de frango do Irã. Não teria muito sentido sancionar o alimento.

O Irã é um importante comprador de milho brasileiro. Em 2025, o Irã foi um dos principais mercados e as exportações dobraram em relação a 2024. Se algum aliado dos Estados Unidos assumisse o controle do Irã, em uma derrubada do poder hipotética, haveria a abertura de uma relação comercial do Irã com os Estados Unidos, que, atualmente, não existe. Isso seria um problema para as exportações de milho do Brasil. Não é à toa que o Irã é um grande investidor do milho brasileiro. O Irã não compra o cereal dos Estados Unidos, o maior produtor do mundo. O momento é de muitas hipóteses, visto que o conflito ainda está em curso e não há uma certeza quanto às prováveis tarifas dos Estados Unidos. Nada disso é impensável a longo prazo, até porque estão acontecendo várias coisas no mundo nesse sentido, como o caso da Venezuela. Por enquanto, é tudo suposição. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.