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20/Jan/2026

Mercosul-UE terá impacto limitado na soja e milho

Segundo a InfoGrain, o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul deve ter impacto limitado sobre o mercado europeu de milho e soja. A América do Sul já ocupa, há anos, posição estrutural como fornecedora desses produtos para o bloco, o que reduz o efeito prático do tratado sobre grãos e oleaginosas. Enquanto no caso da carne bovina, das aves e do açúcar existe uma ameaça real de concorrência para a produção europeia, no caso de grãos e oleaginosas o acordo não terá maior significado. O debate político ignora a dinâmica já consolidada do comércio. O Mercosul já está na Europa há anos. A União Europeia importa anualmente entre 18 e 20 milhões de toneladas de farelo de soja e 14 a 15 milhões de toneladas de soja em grão da América do Sul. Trata-se majoritariamente de produtos geneticamente modificados, que não podem ser cultivados no bloco. Esses volumes são necessários para a produção de ração animal e biocombustíveis, e a Europa não consegue produzi-los internamente.

A União Europeia não será capaz de substituir essa quantidade por proteína local; no máximo, pode reduzir a dependência de forma marginal. No milho, o cenário é semelhante. Nesta temporada, o Brasil figura entre os principais fornecedores do cereal para a União Europeia, com embarques concentrados em países como Espanha, Itália e Holanda. É milho geneticamente modificado, que também não pode ser cultivado na União Europeia. As importações europeias do cereal a partir de países terceiros variam entre 18 e 20 milhões de toneladas por ano, com destaque ainda para Ucrânia e Estados Unidos. Embora existam tarifas variáveis para a importação de milho, na prática a alíquota está em zero há vários anos. Isso permite que os processadores europeus importem volumes praticamente ilimitados de milho produzido com defensivos agrícolas retirados do mercado da União Europeia ou milho geneticamente modificado, não apenas de países do Mercosul. O debate europeu sobre o Mercosul e os organismos geneticamente modificados está desconectado de como o mercado já opera.

Há anos a União Europeia importa grandes volumes de soja, farelo de soja e milho da América do Sul. Grande parte dessa ração é geneticamente modificada e produzida sob padrões que não são permitidos na União Europeia. A dependência é estrutural, já que a Europa não é autossuficiente em proteína para ração e as culturas domésticas só conseguem reduzir, mas não eliminar, essa necessidade. O problema central não está no acordo comercial, mas na condução da política agrícola europeia. A agricultura da União Europeia perde competitividade com normas cada vez mais restritivas, retirada de substâncias ativas e aumento de custos. Ao mesmo tempo, produtos de países terceiros, produzidos sob padrões distintos, seguem entrando no mercado europeu. O debate sobre o Mercosul repete o que ocorreu no caso da Ucrânia: foco na busca por culpados e pouca discussão técnica. Nesse processo, os agricultores acabam tendo de se ajustar sozinhos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.