19/Jan/2026
As cotações do milho estão em queda nos mercados interno e externo. No Brasil, a pressão vem da demanda enfraquecida dos consumidores, que têm priorizado a utilização dos lotes negociados antecipadamente, das boas perspectivas quanto à produção interna (apesar da redução indicada pela Conab, o volume ainda é considerado alto por agentes) e da flexibilidade de produtores nas negociações. No mercado externo, as previsões de ampla oferta mundial, sobretudo nos Estados Unidos, influenciam as baixas. O Indicador ESALQ/BM&F (Campinas - SP) registra recuo de 0,8% nos últimos sete dias, cotado a R$ 68,37 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, as quedas são de 0,6% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 1,9% no mercado de lotes (negociação entre empresas).
Na Bolsa de Chicago, os contratos Março/2026 e Maio/2026 acumulam forte recuo de 5,7% nos últimos sete dias, a US$ 4,20 por bushel e a US$ 4,27 por bushel, respectivamente. Relatório divulgado no dia 12 de janeiro pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontou aumento na produção e nos estoques mundiais, impulsionados sobretudo pelo incremento no volume dos Estados Unidos. Agora, a safra mundial 2025/2026 está estimada em 1,29 bilhão de toneladas, acima das 1,28 bilhão de toneladas indicadas em dezembro/2025 e das 1,23 bilhão de toneladas registradas na temporada anterior, refletindo o avanço nas produções dos Estados Unidos e da China. Com isso, os estoques ao final da temporada também subiram para 290,9 milhões de toneladas, ante as 279,15 milhões de toneladas estimadas em dezembro.
No entanto, se comparada à safra anterior, a queda nos estoques finais é de 4 milhões de toneladas, o que dá suporte às cotações para os próximos meses. As estimativas nacionais, divulgadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no dia 15 de janeiro, apontam a produção de milho na temporada 2025/2026 (considerando-se 1ª, 2ª e 3ª safras) em 138,86 milhões de toneladas, 1,5% menor que a anterior. Especificamente para a safra de verão (1ª safra 2025/2026), atualmente em período de início da colheita, a Conab estima aumento na produção de 3,8% frente à temporada 2024/2025, totalizando 25,89 milhões de toneladas, como resultado do avanço de 6,8% na área plantada. No caso da 2ª safra de 2026, a produção nacional foi projetada em 110,46 milhões de toneladas, 2,4% inferior à safra 2024/2025, com redução de 6% na produtividade. A 3ª safra de 2026 deve somar 2,51 milhões de toneladas, 12% menor que a anterior. Com isso, a disponibilidade interna (resultado da soma entre estoque inicial, produção e importação) será de 153,12 milhões de toneladas.
O consumo segue estimado em aproximadamente 94,6 milhões de toneladas, e as exportações, em 46,5 milhões de toneladas. Neste caso, os estoques ao final da temporada (em janeiro/27) se reduziram, passando de 13,53 milhões de toneladas no relatório de dezembro para 12 milhões de toneladas neste mês. A semeadura da safra de verão (1ª safra 2025/2026) está em estágio avançado na maior parte das regiões, enquanto a colheita teve início em mais Estados na semana passada, como Santa Catarina. A semeadura da área nacional destinada à safra de verão (1ª safra 2025/2026) alcançou 89,9% da área até o dia 10 de janeiro, conforme apontam dados da Conab, enquanto a colheita chegou a 2,4%, acima dos 0,7% da semana anterior, mas inferior aos 4,2% da média dos últimos cinco anos, também segundo a Conab.
Regionalmente, Santa Catarina apresenta bom potencial produtivo, com a colheita totalizando até o dia 10 de janeiro, 2,2% da área estadual, acima dos 2% do mesmo período de 2025, segundo a Conab. No Rio Grande do Sul, a colheita chegou a 11% da área até o dia 15 de janeiro, avanço semanal de 9%, segundo a Emater-RS. No Paraná, a colheita da safra de verão (1ª safra 2025/2026) segue ocorrendo de forma pontual, com a semeadura da 2ª safra de 2026 alcançando 1% até o dia 12 de janeiro, conforme o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab). Na Argentina, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, a semeadura avançou 2,6% entre 8 e 15 janeiro, favorecida pelas chuvas dos últimos dias, chegando a 91,7% da área prevista. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.