16/Jan/2026
Segundo a StoneX, os estoques finais de milho nos Estados Unidos, projetados em 56,56 milhões de toneladas devem manter o mercado internacional pressionado ao longo de 2026 e limitar tentativas de recuperação consistente dos preços. O volume ficou bem acima da expectativa do mercado, de 50,8 milhões de toneladas, reforçando um cenário de oferta confortável no principal formador de preços globais. A relação entre estoques e consumo nos Estados Unidos subiu para 13,6%, o maior nível em sete anos, sinalizando que o mercado entra em 2026 com folga do lado da oferta. Com a produção praticamente definida neste momento do ciclo, ajustes pontuais de demanda não são suficientes para reequilibrar o mercado.
O cenário é de estoques elevados por um período prolongado. A produção norte-americana de milho superou 432 milhões de toneladas pela primeira vez na história, sustentada por área plantada de 40 milhões de hectares, a maior desde 1936. Esse volume cria um teto para reações de preços na Bolsa de Chicago enquanto não houver um choque relevante de oferta. Chama a atenção a estimativa do USDA de consumo doméstico de milho para alimentação animal, projetada em 157 milhões de toneladas, nível recorde. O número tende a ser revisto. É difícil justificar aumento expressivo no consumo quando o rebanho bovino está menor e parte significativa da engorda ocorre fora dos Estados Unidos.
As exportações norte-americanas foram estimadas em 81,28 milhões de toneladas, também em patamar recorde. Apesar do ritmo forte de embarques, isso não altera o quadro estrutural. As exportações ajudam no escoamento, mas não mudam o fato de que o volume disponível continua muito elevado. Eventuais mudanças no cenário dependem de fatores ainda incertos, como problemas climáticos na safra de verão dos Estados Unidos, dificuldades na 2ª safra brasileira de milho de 2026 ou uma redução relevante da área plantada nos Estados Unidos no próximo ciclo. Enquanto os estoques permanecerem altos, o mercado reagirá mais a riscos climáticos do que a fundamentos de demanda.
Mudanças na política energética dos Estados Unidos, como maior estímulo ao uso de etanol, podem gerar volatilidade, mas com efeito limitado sobre preços. Compras adicionais da China também poderiam oferecer suporte pontual, mas não fazem parte do cenário-base da consultoria. Para o produtor brasileiro, o ambiente externo segue desafiador para 2026. Com a Bolsa de Chicago oferecendo sustentação restrita, a formação de preços no mercado interno tende a depender cada vez mais de fatores locais, como câmbio, demanda doméstica e logística, especialmente no período de comercialização da 2ª safra de 2026. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.