16/Jan/2026
O agronegócio brasileiro acompanha com preocupação a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. Dois fatos preocupam o setor produtivo: a ameaça do presidente norte-americano Donald Trump de sobretaxar em 25% países que façam negócios com o Irã e os rumores sobre a iminência de eventual ataque do governo norte-americano ao território persa. O primeiro afeta diretamente as exportações do agronegócio brasileiro ao Irã e o segundo pode gerar impacto no comércio do setor com todo o Oriente Médio. O comércio de produtos agropecuários Irã-Brasil é expressivo. No último ano, o Brasil comercializou US$ 2,9 bilhões em produtos do agronegócio para o país persa, somando 11,532 milhões de toneladas. O principal produto vendido é o milho, com embarques que geraram US$ 1,98 bilhão em 2025, representando 68% do total, seguido pela soja e açúcar.
Do lado da importação, o Irã fornece sobretudo ureia ao agronegócio local, tendo exportado para cá 184,738 mil toneladas do adubo em 2025, com desembolso de US$ 66,834 milhões pelos importadores brasileiros. A principal ressalva do setor é quanto às exportações, sendo a maior parte feita pela modalidade barter. As sanções atuais sobre as quais o Irã está sujeito não incluem alimentos, e, portanto, o Brasil pode exportar as commodities sem implicações. Não está claro se essa nova rodada de sanções dos Estados Unidos incluiria alimentos. É um tema humanitário, mas não parece que o governo Trump esteja disposto a seguir convenções ou diretrizes acordadas anteriores. Exportadores de milho apontam que o volume embarcado ao Irã supera o comercializado à União Europeia e representa 23% de todo volume comercializado do cereal pelo País.
É possível redistribuir parte disso, mas não é um volume pequeno. Parte do setor vê espaço para reorganização do fluxo comercial com Irã diante da ameaça de sobretaxa dos Estados Unidos, mas sem descartar efeitos sobre os embarques no curto prazo. Do lado do governo, autoridades evitam estimar impactos e ponderam que a medida da taxação ainda não foi formalizada pelo governo norte-americano. Não se sabe a regra, a data e se realmente sairá. A ordem é esperar os desdobramentos tanto da ameaça de Trump, que pode voltar atrás, quanto os próximos passos de intervenção ou não dos Estados Unidos na região. Interlocutores lembram que Trump fez ameaças semelhantes a países com comércio com a Rússia no ano passado, o que não se concretizou. Há uma ponderação ainda na Esplanada dos Ministérios de que parte dos embarques de soja e milho pode ser redirecionada a demais países, já que são commodities com maior facilidade de realocação.
Além do comércio efetivo do agronegócio brasileiro com o Irã, há ainda uma gama de produtos do setor, a exemplo da carne bovina, que são comercializados a países da região que redirecionam ao Irã. Portanto, para representantes do setor produtivo, o comércio supera os US$ 2,9 bilhões em exportações de produtos agropecuários, que estão "subestimados". É um comércio muito relevante com motivo para preocupações concretas. Em contrapartida, reverbera nas avaliações o risco elevado ao agronegócio brasileiro de um potencial conflito na região. O Oriente Médio representou US$ 12,580 bilhões em embarques do setor. Fora isso, há impactos no aumento do custo do frete marítimo com navios evitando o tráfego na região. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.