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14/Jan/2026

Preços do milho sustentados pela demanda interna

O mercado brasileiro de milho tem expectativa de aumento pontual da oferta com o avanço da colheita de soja, mas sem sinais claros de mudança estrutural no equilíbrio entre oferta e demanda. A leitura predominante é de que os compradores seguem cautelosos, aguardando maior disponibilidade do cereal para tentar recompor posições a preços mais baixos, enquanto os produtores tendem a priorizar a venda do milho para preservar a soja neste momento do calendário agrícola. Esse comportamento é recorrente nesta fase do ano. Apesar da expectativa de maior volume circulando no curto prazo, a demanda interna segue aquecida e atua como fator de sustentação.

O mercado não se encontra desabastecido, mas tampouco confortável a ponto de absorver uma pressão de venda mais agressiva sem reação. A perspectiva é de que usinas e fábricas monitorem o mercado, mas evitem antecipar compras relevantes enquanto testam a reação do produtor diante da colheita da soja. No front externo, o ambiente recente na Bolsa de Chicago pode esfriar temporariamente o ritmo dos negócios voltados à exportação. Eventuais tensões geopolíticas, como a situação envolvendo o Irã, não devem afetar diretamente o comércio de milho. Pode ter algum problema de logística. No médio prazo, a tendência é de maior direcionamento das compras iranianas ao Brasil.

Em São Paulo, na região de Campinas, os vendedores vivem um impasse, visto que precisam vender os volumes restantes de milho 2024/25 para limpar armazéns e receber a nova safra de soja, mas indicam preços bem acima do que os compradores. Os produtores ainda estão tentando preços mais altos, mas quem precisa de espaço está suscetível a derrubar suas pedidas para comercializar. Os compradores estão mais firmes nas indicações. As fábricas de ração indicam entre R$ 63,00 e R$ 65,00 por saca de 60 Kg FOB, para retirada imediata e pagamento ainda neste mês. Tradings estão fora do mercado de milho. Os vendedores indicam R$ 70,00 por saca de 60 Kg CIF. A movimentação deve ser mais intensa nos próximos dias diante da necessidade do produtor. Para 2ª safra de 2026, as negociações são isoladas, visto que o plantio ainda não teve início. Por enquanto, tradings indicam R$ 65,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Santos, para entrega em setembro e pagamento em outubro.

Em Mato Grosso, na região de Sinop, indústrias de etanol e fábricas de ração estão voltando aos poucos para o mercado. O mercado interno está comprando lotes mais restritos, mas está sempre ativo. Muitos produtores não estão no mercado por conta da colheita de soja, que tem sido afetada por chuvas intensas na região. Tradings e indústrias indicam R$ 54,00 por saca de 60 Kg FOB, via cooperativas, para embarque imediato e pagamento ainda em janeiro. Os vendedores que ainda têm volume restante da safra 2024/2025 poderiam aproveitar agora, mas eles estão retraídos. Para 2ª safra de 2026, os produtores indicam R$ 50,00 por saca de 60 Kg FOB. Tradings indicam entre R$ 47,00 e R$ 49,00 por saca de 60 Kg FOB, para entrega entre setembro e outubro, e pagamento em até 30 dias.