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14/Jan/2026

Preços de soja e milho podem cair com ampla oferta

Segundo a AgResource, o relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reforçou um cenário de ampla disponibilidade global de grãos e consolidou preços em níveis que refletem estoques elevados, mas ainda com espaço para quedas adicionais caso a safra sul-americana confirme o potencial produtivo. A soja para março pode recuar para a faixa entre US$ 10,00 e US$ 10,20 por bushel, abaixo dos US$ 10,77 por bushel registrados pelo contrato julho, em um movimento de ajuste à oferta confortável. O relatório foi baixista e mostrou que o mundo tem muito milho, soja suficiente e trigo em abundância. No milho, a safra norte-americana atingiu cerca de 432,34 milhões de toneladas.

A área colhida foi revisada para cima, refletindo principalmente a incorporação de áreas destinadas à silagem. Quando se combina produtividade elevada com mais área colhida, o resultado é um volume grande demais para o mercado absorver rapidamente. Para a soja, o USDA elevou a estimativa da safra brasileira para 178 milhões de toneladas, mas a AgResource avalia que o volume final pode alcançar 182 milhões de toneladas ou mais, mantendo a pressão de oferta no mercado internacional ao longo de 2026. Esse quadro justifica tanto o nível atual de preços quanto a perspectiva de novas quedas. O mercado está precificado de forma justa para os estoques atuais, mas se a safra brasileira vier maior e o clima seguir favorável, há espaço para ajustes para baixo.

No trigo, os principais exportadores globais colocaram no mercado cerca de 45 milhões de toneladas adicionais em relação ao ciclo anterior, prolongando o ambiente de excedente. O contrato março pode cair para a faixa entre US$ 4,85 e US$ 5,00 por bushel. Não é um excesso pontual, é um desequilíbrio estrutural. Quanto às projeções do ciclo 2026/2027, mesmo com a retirada estimada de cerca de 2 milhões de hectares de milho nos Estados Unidos, que devem migrar para soja, os estoques finais do cereal tendem a permanecer próximos de 54 a 56 milhões de toneladas, praticamente no mesmo nível do ciclo atual. Para o milho março, a consultoria trabalha com alvos entre US$ 4,00 e US$ 4,10 por bushel. O que muda esse cenário é rendimento, e isso depende exclusivamente do clima.

Os rendimentos das lavouras norte-americanas ainda não atingiram um platô técnico e que, com clima favorável, o milho poderia ter superado 11,9 toneladas por hectare e a soja, 3,8 toneladas por hectare. Essa perspectiva de ganhos adicionais de produtividade reforça a necessidade de o produtor aproveitar eventuais recuperações de preços para realizar vendas antecipadas. Rendimento extra ajuda a renda, mas vender antes faz sentido nesse tipo de mercado. A estratégia para 2026 está clara. Eventuais altas associadas a ruídos climáticos ou movimentos especulativos devem ser tratadas como oportunidades de gestão de risco, especialmente em um ambiente no qual a soja pode buscar a faixa de US$ 10 por bushel. Enquanto não houver um choque climático relevante, a oferta vai continuar mandando na formação de preços.

As revisões do primeiro relatório de oferta e demanda mundial de 2026 do USDA surpreenderam o mercado e consolidaram um viés predominantemente baixista para as principais commodities. Ao contrário das expectativas de cortes por parte de analistas e investidores, o documento indicou aumentos relevantes nas estimativas de produção e estoques de soja e milho, além de ajustes negativos para os preços do trigo. Para a Hedgepoint Global Markets, as revisões reforçam um cenário de pressão sobre os preços no curto prazo. Há necessidade de produtores e indústrias ajustarem suas estratégias de proteção (hedge) diante de fundamentos de oferta que se mostram mais robustos do que o antecipado.

O relatório trouxe um tom de pressão sobre as cotações ao elevar a produção norte-americana de soja para 115,99 milhões de toneladas, superando as 115,75 milhões de toneladas estimadas em dezembro. A produtividade média manteve-se em 3.564 Kg por hectare, mas a revisão da área colhida e o ajuste nos estoques finais dos Estados Unidos, que saltaram 20,7% para 9,52 milhões de toneladas, frustraram as projeções de redução do mercado. No cenário global, a produção brasileira também foi revisada para cima, passando de 175 milhões de toneladas para 178 milhões de toneladas, reforçando a robustez da oferta.

Para o milho, o cenário desenhado pelo USDA foi igualmente baixista. A produção dos Estados Unidos foi elevada para 432,34 milhões de toneladas, ante 425,53 milhões de toneladas no relatório anterior, impulsionada por uma produtividade média recorde de 11.707 Kg por hectare. Os estoques finais norte-americanos cresceram 9,8%, atingindo 56,56 milhões de toneladas, contrariando as apostas de queda. No caso do trigo, as alterações foram mais discretas, mas mantiveram a tendência de pressão sobre os preços. Os estoques finais nos Estados Unidos foram ajustados para 25,21 milhões de toneladas, enquanto as reservas globais subiram para 278,25 milhões de toneladas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.