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14/Jan/2026

Brasil tem preocupação sobre o comércio com Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou em uma rede social que deve taxar em 25% todos os países que mantêm negócios com o Irã. A medida ainda não foi efetivada, mas pode afetar o agronegócio brasileiro, seja do lado do comércio com os norte-americanos seja com os iranianos. “Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todo e qualquer negócio realizado com os Estados Unidos da América. Esta ordem é final e conclusiva. Agradecemos a atenção a este assunto”, disse Trump na rede social. Internamente, o governo brasileiro aguarda que o anúncio seja efetivado para se manifestar e trata como “especulação” qualquer ponderação antes de uma comunicação oficial. No ano de 2025, o Irã comprou US$ 2,92 bilhões em produtos brasileiros e vendeu ao Brasil US$ 84,59 milhões, de acordo com dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Quanto às exportações brasileiras, quatro dos cinco itens mais vendidos são do setor agropecuário:

- Milho em grãos: 9 milhões de toneladas com uma receita de US$ 1,98 bilhão;

- Soja: 1,3 milhão de toneladas e uma receita de US$ 563,6 milhões;

- Açúcares e melaços: 499,5 mil toneladas e uma receita de US$ 189,1 milhões;

- Farelos de soja e outras farinhas de alimentação animal: 581,4 mil toneladas e uma receita de US$ 182,1 milhões;

- Óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos: 178,2 toneladas e uma receita de US$ 256,3 mil.

Entre as importações, o item mais comprado pelo Brasil é fertilizantes. Em termos de importância, o Irã é apenas o 22º fornecedor desses insumos. A lista dos principais produtos importados do Irã tem:

- Adubos ou fertilizantes químicos (exceto fertilizantes brutos): 184 mil de toneladas e com receita de US$ 66,8 milhões;

- Frutas e nozes: 1,9 mil toneladas e com receita de US$ 9,6 milhões;

- Medicamentos e produtos farmacêuticos (exceto veterinários): 1 tonelada e com uma receita de US$ 2,5 milhões;

- Frutas, preservados e preparações (exceto sucos de frutas): 224,1 toneladas e com uma receita de US$ 2,1 milhões;

- Vidro: 7,5 mil toneladas e receita de US$ 1,9 milhões.

Em uma análise preliminar da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), a situação com o Irã é considerada “preocupante”. O país do Oriente Médio há algum tempo tem se mostrado um comprador estável, diferente de outros países, por exemplo, a China, que uma hora entra comprando muito, outra hora não compra quase nada. A preocupação tem fundamento na relevância do Irã para as negociações do milho brasileiro, já que o país foi o principal comprador do cereal do Brasil em 2025. Ainda não se sabe como a medida de Donald Trump vai impactar nesse comércio. O consultor Carlos Cogo aponta que o atual cenário internacional é de uma “ampla disponibilidade” do cereal. Interrupções no fluxo comercial do milho podem pressionar o preço para baixo, “agravando a disputa entre exportadores por mercados residuais”.

Especificamente sobre o milho do Brasil, ele vê uma realocação limitada das exportações aos iranianos. “Diante da superoferta global e da concorrência intensa, especialmente dos Estados Unidos, a realocação dos volumes tradicionalmente destinados ao Irã torna-se extremamente limitada, pressionando preços internos, elevando estoques e comprimindo margens ao produtor brasileiro, sobretudo nas regiões exportadoras”, comentou. Para Abramilho, numa hipótese de encerrar as negociações com o Irã, o que haveria seria um “jogo de cadeiras”. O Irã não vai deixar de comprar milho, ele vai comprar de algum lugar. Se o Brasil deixar de vender ao Irã, a compra dos iranianos seria de outro país, e nesse caso, esse terceiro país poderia comprar o milho brasileiro para abastecer o mercado interno. O analista de mercado Carlos Cogo também comentou sobre outros impactos esperados nos demais produtos.

No caso da soja, a opinião é de que “os efeitos diretos da medida são mais restritos” devido à baixa relevância diante das exportações totais da oleaginosa brasileira. Mesmo assim, ele classifica alguns riscos como maior volatilidade financeira global, oscilações cambiais e elevação de custos logísticos e de seguros. “No balanço geral, o efeito líquido para a soja brasileira é neutro a levemente positivo, desde que não haja escalada de sanções que afete diretamente o comércio do Brasil com os Estados Unidos”, avaliou Cogo. Quanto aos fertilizantes, o consultor não vê risco imediato de desabastecimento, mas lembra que os insumos de lá tem importância em alguns nitrogenados e misturas químicas. Ele também indica que essa situação “reforça a necessidade de estratégias voltadas à diversificação de fornecedores, negociação de contratos de médio e longo prazo e gestão ativa de risco cambial e financeiro”. Fonte: Estadão. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.