13/Jan/2026
A Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) manifestou uma visão cautelosa sobre os benefícios reais para o setor do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Embora o acordo represente um marco diplomático, o impacto prático para o produtor de milho brasileiro deve ser pequeno no curto prazo. O volume estabelecido para o comércio de grãos é um dos principais pontos de frustração. O acordo prevê uma cota de apenas 1 milhão de toneladas de milho e sorgo com tarifa zero para todo o bloco do Mercosul. O Brasil vai dividir essa cota com a Argentina e os demais países membros.
O Brasil exporta, em média, cerca de 5 milhões de toneladas por ano para a União Europeia. O volume atual de exportações brasileiras para o bloco já supera com folga o teto de isenção negociado. O País exporta cerca de 3 milhões de toneladas de milho para a União Europeia, volume superior à cota, que não será exclusiva. No caso do etanol, o texto prevê acesso preferencial com cotas e redução tarifária gradual. No entanto, o setor precisará dividir esse espaço com a produção do biocombustível da cana-de-açúcar.
O DDG/DDGS, coproduto do etanol de milho utilizado para nutrição animal, foi excluído de qualquer cota, mantendo o produto sujeito às regras gerais de importação da União Europeia. Ainda há o desafio das barreiras não tarifárias. Para acessar o mercado europeu, será preciso seguir as regras do bloco. Será necessário fazer uma adaptação às rigorosas exigências ambientais e regulatórias impostas pelo bloco europeu. Os principais ganhos do acordo para a cadeia do milho estão mais ligados à previsibilidade comercial do que a um aumento imediato dos volumes exportados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.