12/Jan/2026
Os preços do milho iniciaram 2026 em queda no mercado brasileiro, influenciados sobretudo pela retração de muitos consumidores, que seguem priorizando os estoques negociados antecipadamente. Além disso, diante do início da colheita da safra de verão (1ª safra 2025/2026) em algumas regiões do Rio Grande do Sul, os demandantes estão à espera de aumento na oferta. Vale lembrar que alguns produtores têm necessidade de fazer caixa e/ou de liberar de parte dos armazéns, com o início dos trabalhos de campo.
Reforça a pressão sobre os valores internos o fato de que, na atual temporada, os estoques de passagens superam os do início de 2025, passando de 1,88 milhão de toneladas em 2025 para 14 milhões em 2026. Do lado dos vendedores, poucos estão ativos no spot nacional, tendo em vista que esses agentes dão prioridade à colheita e às entregas. Esse cenário acaba limitando a desvalorização do cereal. O Indicador ESALQ/BM&F (Campinas - SP) registra baixa de 0,8% nos últimos sete dias, cotado a R$ 68,94 por saca de 60 Kg.
Nos últimos sete dias, há queda de leve 0,1% no mercado de balcão (preço pago ao produtor), mas alta de 0,5% no mercado de lotes (negociação entre empresas). Na B3, as cotações apresentam recuos mais intensos, pressionadas pelos altos estoques de passagem e pelas boas perspectivas para a safra 2025/2026. Os contratos Janeiro/2026 e Março/2026 têm baixa de 2,1% e 2,3%, para R$ 68,79 por saca de 60 Kg e R$ 72,70 por saca de 60 Kg, respectivamente. Nos portos, apesar da reação nos preços, as negociações estão calmas, com parte das empresas já reduzindo o interesse para embarque imediato.
O valor médio no Porto de Paranaguá (PR) registra avanço de 2,8% nos últimos sete dias. Considerando-se dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), na parcial da temporada (de fevereiro/2025 a dezembro/2025), ao Brasil exportou 37,38 milhões de toneladas, 7% acima do mesmo período do ano anterior. Nos Estados Unidos, os futuros são impulsionados pela forte demanda pelo cereal. Além disso, a expectativa de ajuste no relatório de oferta e demanda que será divulgado nesta segunda-feira (12/01) também deu suporte às cotações.
Nos últimos sete dias, ambos os vencimentos Março/2026 e Maio/2026 acumulam valorização de 1,3%, passando para US$ 4,46 por bushel e US$ 4,54 por bushel. Na Argentina, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires apontou que 89,1% da área prevista para o milho no país havia sido cultivada até o dia 8 de janeiro (progresso de 4,8% com relação à semana anterior). Os trabalhos de campo estão atrasados em 3,2% frente ao ano anterior. Ainda que de forma pontual, a colheita da safra de verão (1ª safra 2025/2026) começou em algumas regiões, com boas expectativas quanto à produção, já que o clima foi benéfico na maior parte do período.
Até o dia 3 de janeiro, a área colhida somava 0,7%, abaixo dos 2,3% da média dos últimos cinco anos, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No Rio Grande do Sul, conforme a Emater-RS, o retorno das chuvas e as temperaturas adequadas permitiram a recuperação parcial de parte das áreas castigadas pela seca. Até o dia 8 de janeiro, 2% da safra havia sido colhida. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.