09/Jan/2026
O mercado brasileiro de milho começa janeiro sem mudanças relevantes no quadro de preços, após um período prolongado de baixa liquidez no fim de ano. A retomada das negociações ocorre de forma gradual, com compradores voltando às mesas aos poucos e vendedores ainda cautelosos, em um ambiente em que a oferta segue confortável, mas a demanda doméstica começa a reassumir protagonismo no primeiro trimestre. A entrada do milho safra de verão (1ª safra 2025/2026) na Região Sul e em parte da Região Sudeste não altera, por ora, a leitura estrutural do mercado. A safra de verão (1ª safra) tem peso regional e ocorre justamente em regiões que já operam com preços mais baixos em relação a outras áreas do País. Isso reduz o espaço para uma pressão mais intensa de baixa. O milho tem pouco espaço de manobra. Ele vai trabalhar mais próximo de uma estabilidade, sempre atento ao valor da exportação.
Eventuais ajustes negativos nos preços internos tendem a ser rapidamente absorvidos pela exportação, que segue funcionando como referência. Com o porto operando na faixa entre R$ 69,00 e R$ 71,00 por saca de 60 Kg, quedas adicionais no mercado físico podem tornar o produto competitivo para novos embarques. Se houver queda nas posições internas, novos embarques tendem a aparecer. Esse patamar de exportação se mantém relativamente estável há mais de um mês. Pelo lado da demanda, a leitura é de um mercado mais comprador do que vendedor ao longo do primeiro trimestre. O setor de ração volta a atuar com maior intensidade após o recesso, enquanto a indústria de etanol precisa se posicionar antes da chegada da 2ª safra de 2026. Mesmo com estoques ainda elevados, a necessidade de cobertura ao longo do semestre limita uma postura mais retraída por parte dos compradores. É um mercado comprador, ainda que exista um bom volume de milho disponível.
Em Mato Grosso, na região de Sorriso, a comercialização de milho 2024/2025 é pontual, visto que o mercado de exportação se volta para a soja, com a colheita da safra 2025/2026 ainda neste mês em algumas regiões. A demanda interna, que poderia conferir maior sustentação para as vendas, é reduzida. O programa de compra das usinas já foi encerrado. Elas estão abastecidas até abril. Além disso, a oferta é restrita. Outro fator que tem atrapalhado as vendas é o impasse entre produtores e compradores em relação a preços. os vendedores indicam acima de R$ 60,00 por saca de 60 Kg. há registro de negócios pontuais para indústria a R$ 57,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque imediato e pagamento em abril. Para 2ª safra de 2026, a comercialização é lenta. Os vendedores estão fora do mercado, já que preferem estipular preços apenas quando iniciarem o plantio. As indústrias indicam R$ 51,00 por saca de 60 Kg FOB, via cooperativa, para embarque e pagamento em outubro. Diretamente com o produtor, tradings indicam R$ 47,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega em julho e pagamento em setembro.
No Paraná, na região de Maringá, com a exportação voltada para soja e as fábricas de ração abastecidas até o fim do mês, o mercado está travado. As negociações são tão pontuais que é mais fácil chamar de “exceção". No Porto de Paranaguá, há registro de negócios pontuais para tradings a R$ 72,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega imediata e pagamento em 30 dias. Com as indústrias cobertas até o fim do mês, a demanda, ainda que pontual, fica por conta das fábricas de ração. Na próxima semana, é provável que elas fiquem mais ativas no mercado por questão de necessidade. Para entrega em Santa Catarina, as fábricas indicam R$ 71,00 por saca de 60 Kg CIF, com acréscimo de ICMS, para entrega em fevereiro e pagamento em 42 dias. As vendas da 2ª safra de 2026 também são pontuais. Os vendedores indicam entre R$ 74,00 e R$ 76,00 por saca de 60 Kg CIF. Tradings indicam R$ 68,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, para entrega em junho e pagamento em julho.