06/Jan/2026
No mercado de milho, os traders estão voltando gradualmente às negociações após o recesso de fim de ano e atentos ao avanço da colheita da safra de verão (1ª safra 2025/2026) e às incertezas sobre a área da 2ª safra de 2026. A demanda por milho para a produção de etanol segue como destaque e a expectativa é de manutenção de uma demanda robusta, o que tende a dar sustentação aos preços no primeiro trimestre de 2026. Para 2026, o cenário segue com pontos de atenção e oportunidades. Nos Estados Unidos, ainda não há consenso sobre a área de plantio, com parte do mercado sinalizando possível migração para a soja.
Mesmo assim, a demanda global por milho continua forte e pode fazer a diferença para o produtor. O principal ponto de incerteza segue concentrado na 2ª safra de 2026 do Brasil. Eventuais atrasos no plantio da soja em algumas regiões podem reduzir áreas da 2ª safra de 2026, mas Mato Grosso pode compensar parte desse movimento. Atrasos localizados no plantio da soja em regiões do Paraná, Mato Grosso do Sul e Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) podem encurtar janelas ideais e forçar redimensionamento da área de milho. O debate no mercado é menos sobre recuo marginal e mais sobre a intensidade dessa redução diante de custos ainda elevados e margens enxutas.
A demanda por milho para a produção de etanol continua sendo um pilar fundamental para 2026. O etanol de milho segue em expansão, com plantas ampliando capacidade e novas unidades previstas para entrar em operação ao longo do ano. Isso sustenta expectativas de consumo firme na Região Centro-Oeste, ajudando a criar pisos regionais de preço em momentos de maior pressão de oferta. Na pecuária, o confinamento tende a continuar absorvendo volumes relevantes, especialmente se o ambiente macroeconômico favorecer a manutenção dos abates e dos embarques de proteína animal.
No Paraná, na região de Maringá, o mercado é lento. Tradings indicam R$ 69,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, para entrega imediata e pagamento em 30 dias. Indústrias indicam ao redor de R$ 67,00 por saca de 60 Kg CIF, com acréscimo de ICMS, em igual prazo de entrega e pagamento. No Porto de Paranaguá, as indicações para entrega em fevereiro entre R$ 73,00 e R$ 74,00 por saca de 60 Kg CIF. A leitura é de que o mercado interno tende a absorver parte do milho disponível ao longo de janeiro, à medida que a demanda de indústrias e fábricas de ração volte a operar em ritmo normal.
Em Mato Grosso, na região de Rondonópolis, o mercado está parado. Tradings indicam entre R$ 53,00 e R$ 54,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque imediato e pagamento em 20 dias. Indústrias indicam R$ 53,00 por saca de 60 Kg FOB, para retirada imediata e pagamento em 30 dias. Os vendedores indicam entre R$ 57,00 e R$ 58,00 por saca de 60 Kg FOB, em iguais condições. O produtor que ainda tem milho está esperando que o preço avance em janeiro, quando a demanda do mercado interno voltar. Janeiro é o último mês para embarcar milho da safra velha. Para 2ª safra de 2026, tradings indicam entre R$ 50,00 e R$ 51,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque em agosto e pagamento em setembro. Para embarque em setembro e pagamento em outubro, a indicação está entre R$ 51,50 e R$ 52,00 por saca de 60 Kg FOB. Os produtores indicam entre R$ 55,00 e R$ 56,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque em agosto e pagamento em setembro. Esse está distante do que o comprador aceita pagar. A diferença trava qualquer tentativa de negócio.