05/Jan/2026
O mercado brasileiro de milho inicia 2026 com ampla disponibilidade interna, refletindo estoques de passagem superiores aos da temporada anterior e expectativa de aumento na produção da primeira safra. Nesse cenário de maior oferta, os contratos futuros negociados localmente apresentam leve volatilidade no primeiro trimestre, mantendo-se abaixo dos patamares da safra anterior, enquanto os futuros internacionais na Bolsa de Chicago indicam curva ascendente no primeiro semestre, sustentados pelo ritmo recorde das exportações norte-americanas e por uma relação estoque/consumo global mais ajustada.
No Brasil, a área cultivada da safra 2025/26 deve atingir recorde de 22,7 milhões de hectares, embora irregularidade das chuvas e temperaturas elevadas no Centro-Oeste representem pontos de atenção, principalmente para a soja, que pode reduzir a janela ideal de semeadura do milho de segunda safra, responsável por cerca de 80% da oferta nacional. A produção total projetada para 2025/26 deve ser a segunda maior da história, superada apenas pelo recorde da temporada atual. O consumo doméstico deve atingir nível recorde, impulsionado pela indústria de etanol de milho e pelos setores de proteína animal, enquanto o excedente interno favorece o crescimento das exportações.
A primeira safra de milho deve totalizar 25,9 milhões de toneladas, avanço de 3,9% sobre a temporada anterior, resultado do aumento de 7,2% na área cultivada após três anos de retração. A semeadura atingia 85,6% da área prevista até o final de dezembro, acima de 80,8% no mesmo período da safra anterior e superior à média das últimas cinco safras. Somando a produção da primeira safra ao estoque de passagem estimado em 14,06 milhões de toneladas ao final de janeiro de 2026, o suprimento disponível no primeiro semestre alcança 39,9 milhões de toneladas, equivalente a 42% do consumo doméstico anual, acima dos 30% observados na safra 2024/25.
Para a segunda safra, espera-se aumento de área, mas quedas na produtividade e na produção, com 18 milhões de hectares cultivados, produtividade de 6.105 kg/ha e produção total de 110,46 milhões de toneladas. A terceira safra deve somar 2,51 milhões de toneladas, recuo de 12,6% em relação à temporada anterior. Considerando estoques iniciais de 14,12 milhões de toneladas, produção total de 138,88 milhões de toneladas e importações de 1,7 milhão de toneladas, a disponibilidade interna na safra 2025/26 é estimada em 154,64 milhões de toneladas. Após descontado o consumo doméstico de 94,6 milhões de toneladas, o excedente interno alcança 60 milhões de toneladas, o maior desde 2022/23.
As exportações brasileiras devem atingir 46,5 milhões de toneladas entre fevereiro de 2026 e janeiro de 2027, resultando em estoques de passagem de 13,54 milhões de toneladas em janeiro de 2027, 4% inferiores aos da safra anterior, mas 51% acima da média das últimas cinco temporadas.
No mercado global, a produção e o consumo de milho devem crescer, com redução da relação estoque/consumo, sustentando os preços externos e ampliando o interesse dos produtores brasileiros em exportar. A produção mundial na safra 2025/26 deve atingir 1,282 bilhão de toneladas, aumento de 4,3% sobre a temporada anterior. Nos Estados Unidos, maior produtor mundial, a colheita recorde deve alcançar 425,5 milhões de toneladas, 12,5% acima da safra 2024/25. O consumo global deve crescer 3,6%, para 1,297 bilhão de toneladas, enquanto os estoques caem 4,8%, reduzindo a relação estoque/consumo para 21,5%, abaixo dos 23,42% da temporada anterior.
O comércio internacional deve expandir-se 3,6%, para 197,9 milhões de toneladas. Os Estados Unidos respondem por 40% do total, enquanto o Brasil deve exportar 41 milhões de toneladas, equivalente a 21% das exportações globais. A Argentina também deve registrar aumento de produção, com estimativa de 53 milhões de toneladas e exportações de 33 milhões, representando 18% do total global, intensificando a concorrência no mercado internacional em 2026. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.