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15/Jan/2024

Tendência é de alta dos preços do milho no Brasil

A tendência é altista para os preços do milho no Brasil nos médio e longo prazos. No curto prazo, a entrada da 1ª safra 2024 no mercado está gerando pressão negativa sobre os preços. Após iniciarem o ano em alta, os preços do milho perderam força, devido ao avanço da colheita da safra de verão (1ª safra 2023/2024) e sobretudo ao menor interesse de compradores. Além disso, a desvalorização externa reduziu a paridade de exportação, o que reforça o movimento de queda nos valores domésticos. Assim, as negociações, que estavam mais aquecidas até meados da semana passada, perderam um pouco o ritmo. Os compradores esperam que a entrada da safra de verão (1ª safra 2023/2024) limite as novas altas de preços, enquanto muitos vendedores, acreditam em recuperação nos próximos meses. De fato, apesar de terem recuado, os contratos negociados na B3 apontam valores médios próximos de R$ 70,00 por saca de 60 Kg para o segundo semestre. Vale lembrar que a produção brasileira deve ser menor na atual temporada, tendo em vista as adversidades climáticas enfrentadas durante a safra de verão (1ª safra 2023/2024) e a perspectiva de redução na área semeada em 2023/2024.

No entanto, voltou a chover em parte das regiões, gerando expectativas de certa recuperação nas condições das lavouras. O Indicador ESALQ/BM&F (Campinas - SP) está cotado a R$ 68,00 por saca de 60 Kg, recuo de 4,7% nos últimos sete dias. Nos últimos sete dias, a queda é de 0,2% no mercado de lotes (negociação entre empresas), mas alta de 1,2% no mercado de balcão (preço pago ao produtor), o que, por sua vez, pode evidenciar a intenção de cooperativas em aumentar o interesse de vendas diante do avanço da colheita. Na B3, as quedas nas cotações internacionais e o avanço dos trabalhos de campo no Brasil pressionam os futuros. O contrato Janeiro/2024 registra baixa de 5% nos últimos sete dias, a R$ 68,84 por saca de 60 Kg. O vencimento Março/2024 tem recuo de 7,2%, indo para R$ 71,14 por saca de 60 Kg, e o Maio/2024, -8,9%, para R$ 69,11 por saca de 60 Kg. As exportações brasileiras iniciaram janeiro em ritmo intenso. Os embarques diários estão 20% maiores que os de janeiro/2023. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), considerando-se apenas os quatro primeiros dias úteis do ano, foram escoadas 1,33 milhão de toneladas de milho.

A projeção da Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec) é de que as vendas externas somem 3,7 milhões de toneladas em janeiro. No principal porto de escoamento, Santos (SP), os preços apresentam queda de 1,1% nos últimos sete dias. No Porto de Paranaguá (PR), os preços registram alta de 1,9% no mesmo período. No dia 10 de janeiro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicou que a safra de verão (1ª safra 2023/2024) deve ser 10,9% inferior à da temporada anterior, totalizando 24,38 milhões de toneladas, como resultado das reduções de 10,7% na área plantada e de 0,2% na produtividade. No caso da 2ª safra de 2024, os agentes estão em dúvida se o plantio será realizado na janela ideal nas principais regiões do Centro-Oeste. Apesar do início tardio da semeadura de soja, as atividades envolvendo o milho podem ocorrer com apenas pontuais atrasos. Por isso, no primeiro relatório da Conab de 2024, a produção nacional é estimada em 91,23 milhões de toneladas, 10,9% inferior à da 2022/2023, com reduções de 4,5% na área semeada e de 6,7% na produtividade.

Caso essas estimativas se confirmem, a produção nacional de milho na temporada 2023/2024 (considerando-se 1ª, 2ª e 3ª safras) deverá atingir 117,6 milhões de toneladas, 10,9% menor que em 2023. Com isso, a disponibilidade interna (resultado da soma entre estoque inicial, produção e importação) será de 125,64 milhões de toneladas, também inferior à temporada passada. Enquanto o consumo segue estimado em aproximadamente 84,4 milhões de toneladas, as exportações recuaram, para 35 milhões de toneladas. Neste caso, os estoques ao final da temporada (em janeiro/2025) aumentaram, passando de 4,51 milhões de toneladas no relatório de dezembro, para 6,27 milhões de toneladas neste mês. No campo, a redução das chuvas fez com que produtores aumentassem o ritmo da colheita no Rio Grande do Sul, e, até o dia 11 de janeiro, 13% do total da área estadual foi colhida, 2% acima do observado no ano passado, segundo a Emater-RS. No entanto, a irregularidade das chuvas durante a semeadura deve reduzir a produtividade em algumas áreas.

No Paraná, a maior parte das lavouras está em boa e/ou média condição (97%), com 1% da área colhida até o dia 8 de janeiro, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab). A média nacional semeada da safra de verão (1ª safra 2023/2024) é de 84,3%, até o dia 7 de janeiro, enquanto a colheita chegou a 4,2% da área, segundo a Conab. Na Bolsa de Chicago, apesar das preocupações com a safra brasileira, a ampla oferta dos Estados Unidos e o aumento nas estimavas de produção na Argentina pressionam os futuros. O contrato Março/2024 registra recuo de 1,8% nos últimos sete dias, indo para US$ 4,57 por bushel. O contrato Maio/2024 tem baixa de 1,9% no mesmo período, a US$ 4,69 por bushel. Na Argentina, a melhora do clima fez com que a Bolsa de Rosário elevasse a estimativa de produção, para 59 milhões de toneladas. Até o momento, a semeadura alcançou 84,6% da área prevista, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires. Fontes: Cepea e Cogo Inteligência em Agronegócio.