26/Nov/2020
A pressão exercida por consumidores domésticos sobre os preços do milho começa a surtir efeito. As cotações recuam gradualmente, de uma semana para outra, levando produtores a se desfazerem de parte do volume estocado. A proximidade da colheita da soja e os custos de armazenagem do cereal também estimulam a venda. Em Mato Grosso do Sul, algumas empresas já estão abastecidas para os próximos meses e observam oportunidades de compra para embarque em janeiro ou fevereiro. Mas, a maior parte dos vendedores estão fora do mercado, cientes de que haverá quebra na safra de milho de verão (1ª safra 2020/2021) do Rio Grande do Sul.
Os produtores ainda têm expectativa de alta dos preços. Há registro de negócios pontuais para consumidores de Santa Catarina e Rio Grande do Sul a R$ 70,00 por saca de 60 Kg, para embarque imediato na região de Maracaju e pagamento após 30 dias. Os preços estão estáveis nesta semana. Para exportação, as indicações estão alinhadas com o mercado interno. Com relação à comercialização antecipada da 2ª safra de 2021, há registro de negócios a R$ 64,00 por saca de 60 Kg CIF Santa Catarina, para entrega entre julho e agosto do ano que vem e pagamento de 10 a 30 dias depois. O valor equivale a R$ 55,00 por saca de 60 Kg FOB Dourados e está estável nesta semana. Os exportadores estão menos competitivos no momento, indicando R$ 61,00 por saca de 60 Kg CIF no Porto de Paranaguá, nos mesmos prazos.
No Rio Grande do Sul, voltou a surgir interesse de compra, mas como há divergências entre compradores e vendedores, a movimentação de lotes ainda é fraca. Na região de Passo Fundo, os compradores indicam R$ 85,00 por saca de 60 Kg, para retirada imediata e pagamento em janeiro. Caso se confirmem perdas mais expressivas pela estiagem, o milho pode voltar a subir. Além do atraso no plantio, as primeiras lavouras foram prejudicadas pela escassez de umidade. Por enquanto, os compradores estão abastecidos, alguns até fevereiro. O milho no disponível chegou a bater em R$ 95,00 por saca de 60 Kg na região, mas os consumidores se afastaram das negociações na semana passada, forçando o mercado a um ajuste. Para negociação antecipada da safra de verão (1ª safra 2020/2021), não há indicações firmes.
A incerteza sobre possíveis prejuízos causados pelo clima mantém os participantes hesitantes em fechar novos lotes. As grandes indústrias estão fora do mercado e a demanda é limitada a granjas. A indicação é de compra é de até R$ 87,00 por saca de 60 Kg CIF na região da Serra, para entrega imediata e pagamento em janeiro. No Paraná, na região de Ponta Grossa, os compradores indicam no disponível R$ 75,00 por saca de 60 Kg no oeste e até R$ 77,00 por saca de 60 Kg próximo ao município de Ponta Grossa, para pagamento em 30 dias. Como a indicação de compra em portos das Região Sul e Sudeste está na faixa de R$ 70,00 a R$ 72,00 por saca de 60 Kg, ainda haveria espaço para as cotações recuarem até a paridade de exportação.