19/Nov/2020
Os contratos futuros de milho terminaram em alta nesta quarta-feira (18/11) na Bolsa de Chicago, sustentados por novos reportes de demanda pelo grão produzido nos Estados Unidos. Os ganhos foram limitados por informações atualizadas sobre a produção e os estoques de etanol no país. O contrato com vencimento em março, o mais líquido atualmente, avançou 3,75 cents (0,88%) e fechou a US$ 4,30 por bushel. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que exportadores norte-americanos relataram vendas de 140 mil toneladas para destinos não revelados. Na terça-feira (17/11), o USDA já tinha reportado vendas de 195 mil toneladas para o México. Os carregamentos têm data de entrega prevista para a temporada vigente, 2020/2021. Além disso, continuam circulando no mercado rumores de que a China voltará a comprar volumes expressivos de milho e soja dos Estados Unidos.
Uma das razões para a demanda é o fato de que o milho norte-americano para ração segue se mantendo entre as matérias-primas mais baratas no mundo, apesar das recentes altas das cotações. O milho do Golfo dos Estados Unidos continuará sendo o mais barato até abril e provavelmente maio, já que os exportadores argentinos aumentaram suas pedidas em meio à quebra de safra. Apesar dos dados de demanda, as vendas semanais dos Estados Unidos de milho e soja para exportação devem cair em relação a semana passada. A expectativa é de que os volumes de milho fiquem entre 600 mil e 1 milhão de toneladas. Caso as projeções se confirmem, a queda coincidirá com o avanço dos futuros e discussões sobre o racionamento da demanda. Os preços do milho continuam subindo junto com os da soja, com especulações de que compradores chineses encomendaram até doze navios de soja e de milho nesta semana, o que ainda não apareceu em relatórios do USDA.
Também nesta quarta-feira (18/11), traders aguardavam os dados semanais de estoques e produção norte-americana de etanol. A expectativa era de que o relatório semanal da Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA) mostrasse aumento dos estoques do biocombustível de até 150 mil barris, para 20,3 mil barris. Contudo, o incremento foi menor, de 44 mil barris, elevando as reservas a um total de 20,2 milhões de barris. A produção diminuiu em 15 mil barris por dia, para 962 mil barris por dia na semana passada. Apesar de os estoques não terem subido como o mercado imaginava, analistas interpretaram os dados como um sinal de que o ressurgimento de casos de Covid-19 nos Estados Unidos está levando a uma diminuição do consumo de gasolina e de etanol no país. A recuperação modesta da produção de etanol dos Estados Unidos desde o fim de agosto nos leva a acreditar que o volume de milho norte-americano destinado à produção de etanol pode ser menor do que o projetado pelo USDA. Isso dependerá, no entanto, da demanda por gasolina após o Ano Novo.