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08/Set/2020

Tendência de alta do milho já está perdendo fôlego

A tendência de alta dos preços do milho vai perdendo fôlego no mercado brasileiro. Após cair em junho e subir com força entre junho e agosto, os preços começam a ceder, com o dólar em patamares mais baixos, valores no interior acima da paridade de exportação nos portos e compradores retraídos frente aos pedidos dos vendedores. As exportações cresceram, mais ainda estão em ritmo inferior ao do ano passado e o que atenua a pressão baixista é o grande volume de produto da 2ª safra vendido antecipadamente à colheita. Após os preços atingirem recordes nominais no final de agosto, o movimento de alta se enfraqueceu nos últimos dias. Enquanto a restrição da oferta e a demanda aquecida deram o tom altista no mês passado, neste início de setembro, a reta final da colheita da segunda safra e a maior pressão de compradores limitaram os aumentos. Em algumas regiões, inclusive, já foram registradas pequenas quedas nos valores.

Com o bom andamento da colheita da 2ª safra de 2020, os produtores retomaram as negociações e voltaram a fixar mercadoria nas cooperativas, sobretudo nas regiões de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. A necessidade de fazer caixa, devido à proximidade do vencimento de dívidas de custeio, e o início do plantio da safra verão (1ª safra 2020/2021) podem elevar ainda mais o interesse de produtores em negociar. Do lado dos consumidores, após realizarem aquisições a patamares elevados de preços, muitos indicam estar abastecidos no curto prazo e aguardam desvalorizações mais significativas, negociando apenas lotes pontuais. Além disso, os compradores também estão atentos à queda dos valores nos portos brasileiros, devido à desvalorização do dólar, o que influenciou no enfraquecimento das altas no interior do Brasil. As cotações no Porto de Paranaguá (PR) e no Porto de Santos (SP) registram recuo de 1,5% e 3,8% nos últimos sete dias.

Assim, o Indicador ESALQ/BM&F (região de Campinas-SP) apresenta queda de 2,9%, cotado a R$ 59,11 por saca de 60 Kg. Por outro lado, o movimento de alta dos preços ainda predomina no Rio Grande do Sul, em Recife, em Santa Catarina e em Mato Grosso, sustentado pela baixa disponibilidade do cereal e pelo menor interesse de vendedores em realizar novas negociações. Nos últimos sete dias, os preços registram alta de 0,1% no mercado de balcão (preço recebido pelo produtor). Na média do mercado de lotes (negociação entre empresas), o aumento é de 0,9%. Na B3, todos os contratos de milho estão em queda. Nos últimos sete dias, os vencimentos Setembro/2020 e Novembro/2020 registram recuo de 7,1% e 7,3%, a R$ 55,71 por saca de 60 Kg e R$ 54,84 por saca de 60 Kg. O Brasil exportou 6,48 milhões de toneladas de milho em agosto, volume 56% maior do que o do mês anterior. Esse cenário deve se manter nos próximos meses, visto que a demanda externa segue firme.

O line up aponta bons volumes a serem embarcados nas próximas semanas. Mas as exportações ainda estão 35% abaixo do embarcado no mesmo período do ano passado. O plantio do milho da safra de verão (1ª safra 2020/2021) avança na Região Sul do País. No Rio Grande do Sul, a geada que atingiu as lavouras nos dias 21 e 22 de agosto afetou as plantações, queimando as primeiras folhas. Além disso, os produtores também se preocupam com a falta de chuvas há mais de 20 dias. Porém, por enquanto, a estimativa de perda de produtividade é baixa. No Paraná, a estimativa é de que 9% da área de milho da safra de verão (1ª safra 2020/2021) já tenha sido semeada até o dia 31 de agosto, enquanto da colheita da 2ª safra de 2020, ainda restam 22% da área estadual. Em Mato Grosso do Sul, a colheita havia alcançado 64,1% da área estadual até o dia 28 de agosto, avanço de 14% ante a semana anterior, mas ainda 36% aquém do registrado na temporada passada.

Na Argentina, os primeiros lotes da safra verão já começaram a ser semeados em Entre Ríos, mas em apenas 1% da área, e produtores seguem aguardando a melhora das condições de solo. Em relação aos Estados Unidos, as preocupações com os rendimentos das lavouras seguem no radar de agentes. A seca e as tempestades de vento em agosto podem ter reduzido o potencial produtivo das lavouras. Segundo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado no dia 31 de agosto, a qualidade recuou 2%, com 62% da área em condições boas ou excelentes. 12% das lavouras estão em estado de maturação, frente a 10% na média dos últimos cinco anos. Assim, nos últimos sete dias, os contratos Setembro/2020 e Dezembro/2020 apresentam altas de 1,6% e 0,1%, a US$ 3,49 por bushel e a US$ 3,58 por bushel. O contrato Março/2021 registra recuo de 0,1%, a 3,69 por bushel. Fontes: Cepea e Cogo Inteligência em Agronegócio.