19/Ago/2019
A queda da paridade de exportação, em decorrência da baixa acumulada dos futuros na Bolsa de Chicago, pressiona as cotações no Brasil, mesmo com os embarques recordes em agosto. A alta do dólar e o expressivo aumento dos volumes exportados são fatores que impedem baixas mais acentuadas no mercado interno. Além disso, a tendência é uma recuperação das cotações futuras no curto e no médio prazo. As desvalorizações internacionais do milho pressionam as cotações do cereal nas regiões dos portos brasileiros, movimento que está sendo repassado à maioria das demais regiões. Isso porque, atento às quedas nos portos, os compradores estão fora do mercado, à espera de novos recuos nas próximas semanas. Além disso, com a colheita próxima do fim, a expectativa é de que os fretes, até então mais altos, também pressionem os valores do milho.
Os vendedores, por sua vez, estão desinteressados em negociar grandes lotes e aproveitam o tempo favorável para finalizar a colheita da 2ª safra de 2019 e muitos optam por comercializar a soja. Diante disso, a liquidez está baixa. As maiores quedas nos preços são observadas nos portos de Santos (SP) e de Paranaguá (PR), de 7,2% e 5,0%, respectivamente, nos últimos sete dias, passando para R$ 35,69 por saca de 60 Kg e R$ 36,82 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, os preços apresentam recuo de 2,7% no mercado balcão (valor pago ao produtor) e de 1,0% no mercado de lotes (negociações entre as empresas). O Indicador ESALQ/BM&F (Campinas – SP) está cotado a R$ 36,22 por saca de 60 Kg, recuo de 0,9% nos últimos sete dias.
As quedas internacionais e no spot brasileiro estão influenciando as quedas nos futuros na B3. O primeiro vencimento Setembro/2019 está cotado a R$ 36,34 por saca de 60 Kg, desvalorização de 4,7% nos últimos sete dias. Os contratos Novembro/2019 e Janeiro/2020 acumulam recuo de 5,1% e 4,4% no mesmo período, a R$ 37,76 por saca de 60 Kg e a R$ 39,20 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, os menores preços do milho têm limitado a liquidez nos portos. Já os embarques de milho seguem aquecidos, refletindo negociações de semanas anteriores. Segundo os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), considerando-se apenas sete dias úteis, foram exportadas 2,938 milhões toneladas.
No campo, a colheita da 2ª safra de 2019 se aproxima do final. Os produtores do Paraná e de São Paulo aproveitam o clima seco para avançar os trabalhos. Em Mato Grosso, 99,8% da área foi colhida até o dia 9 de agosto. Nos Estados Unidos, as cotações recuaram após a divulgação dos dados mensais de oferta e demanda divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) no dia 12 de agosto, indicando que a área plantada naquele país deve ser similar à do ano anterior, apesar dos problemas climáticos enfrentados durante o período de semeio. A previsão é de produção de 353,1 milhões de toneladas, leve aumento de 0,2% em relação ao divulgado em julho/2019, mas 3,6% menor que a temporada anterior. Com isso, os estoques finais na temporada 2019/2020 são estimados em 55,4 milhões de toneladas, superando em 8,5% o de julho/2019.
O desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos está mais lento frente aos anos anteriores. Das lavouras, 90% estão formando espiga, 7% menor do que a média dos últimos cinco anos (2014-2018). A formação de grãos está atrasada na mesma comparação, em 22%. Da área avaliada, 57% apresentam condições boas ou excelentes, 13% inferior a 2018. Neste cenário, os vencimentos futuros negociados na Bolsa de Chicago apresentam recuos expressivos, voltando aos patamares de maio/2019. Na Argentina, a colheita de milho também caminha para o final, com avanço mais representativo nas regiões de Córdoba, onde o clima favorece os trabalhos. Segundo a Bolas de Cereais de Buenos Aires, até o dia 15 de agosto, a colheita havia alcançado 90,1% da área. Fontes: Cepea e Cogo Inteligência em Agronegócio.