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15/Jul/2019

Tendência é altista para os preços no longo prazo

A tendência é de pressão baixista sobre os preços no mercado interno, no curto prazo, com a oferta da 2ª safra, estimada em 72,2 milhões de toneladas (34% acima da temporada passada), recuo do dólar no Brasil e estimativas baixistas divulgadas no relatório de oferta e demanda mundial de julho do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). No médio e longo prazo, a tendência é altista para os preços no mercado interno, com exportações brasileiras aquecidas (cresceram 86% no 1º semestre/2019 em relação ao mesmo período do ano anterior) e redução do potencial produtivo na safra 2019/2020 dos EUA. Na Bolsa de Chicago, nos últimos 60 dias – desde o início dos relatos de adversidades climáticas e inundações que impediam e atrasaram o plantio – o contrato março/2020 acumula alta de 21%, subindo para US$ 4,65/bushel.

Os próximos relatórios do USDA devem revisar para baixo as projeções de produção de milho nos EUA em 2019/2020. De acordo com o relatório de oferta e demanda mundial de julho/2019, divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a área plantada de milho em 2019/2020 foi elevada dos 36,34 milhões de hectares previstos em junho, para 37,11 milhões de hectares, o que representa um aumento de 2,9% em relação à safra anterior (36,06 milhões de hectares). Com esse aumento da área, o USDA revisou a produção de milho em 2019/2020, para 352,44 milhões de toneladas, 1,4% acima das 347,49 milhões de toneladas previstas em junho. Em relação à temporada anterior (2018/2019), cuja produção de milho atingiu 366,29 milhões de toneladas, a queda esperada na safra 2019/2020 é de 3,8%.

A produtividade média esperada para o milho nesta safra 2019/2020 é de 9,50 toneladas/hectare, contra 10,16 toneladas/hectare registradas na safra 2018/2019. Entretanto, a área a ser colhida de milho em 2019/2020 está estimada em 33,83 milhões de hectares, o que representa uma retração de 6,2% em relação à área plantada na temporada 2018/2019 (36,06 milhões de hectares). Na divulgação do relatório de intenção de plantio do dia 28 de junho, o USDA surpreendeu o mercado ao fazer um corte menor do que o previsto em suas projeções. Em março passado, o USDA havia estimado a área plantada de milho em 2019/2010 em 37,55 milhões de hectares. Estimativas indicando novos recordes de produção e de exportação nacional afastaram os agentes do mercado spot, especialmente os compradores. Estes agentes têm aguardado as entregas de lotes comercializados antecipadamente.

Do lado de vendedores, após as chuvas verificadas na semana anterior, os produtores de milho estão concentrados na colheita da 2ª safra de 2019 e na entrega de lotes já contratados. Neste ambiente, a liquidez é baixa. Quanto aos preços, apresentam comportamentos distintos dentre as regiões. Por um lado, o avanço da colheita pressiona as cotações, por outro, as exportações em ritmo intenso sustentam os valores, especialmente nos portos. Em São Paulo, especificamente, o menor interesse comprador pressiona as cotações. O Indicador ESALQ/BM&F (região de Campinas-SP) está cotado a R$ 36,94 por saca de 60 Kg, recuo de 2,4% nos últimos sete dias. A queda é de 0,1% no mercado de balcão (preço recebido pelo produtor) e alta de 0,1% no de lotes (negociação entre empresas) nos últimos sete dias.

Na B3, os contratos de milho seguem recuando, influenciados pela possibilidade de maior oferta de milho. O contrato de Julho/2019 está cotado a R$ 37,40 por saca de 60 Kg, queda de 2,2% nos últimos sete dias. Os vencimentos Setembro/2019 e Novembro/2019 apresentam desvalorização de 1,7% e 0,9% no mesmo período, R$ 37,49 por saca de 60 Kg e a R$ 39,55 por saca de 60 Kg, respectivamente. A produção nacional de milho na safra 2018/2019 deverá atingir 98,5 milhões de toneladas, um recorde. Com isso, a disponibilidade interna (resultado da soma entre estoque inicial, produção e importação) será de 114,6 milhões de toneladas, o maior volume da história. Quanto ao consumo interno, foi mantida a estimativa em 62,9 milhões de toneladas. As exportações estão estimadas em 33,5 milhões de toneladas, resultando em estoques finais de 18,2 milhões de toneladas, em janeiro de 2020, também um recorde. Fontes: Cepea e Cogo Inteligência em Agronegócio.