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05/Jun/2019

EUA: quebra de 20 milhões a 50 milhões t no milho

O maior atraso da história da safra norte-americana. Essa é a linha mais comum entre as análises sobre a temporada 2019/2020 dos Estados Unidos. Os números trazidos pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) na segunda-feira (03/06) confirmam que a situação mais grave é a do milho, uma vez que a janela ideal para o plantio do cereal já está encerrada. Apenas cinco estados podem plantar até o início de junho, porém, são mais dois ou três dias de janela. As primeiras projeções de especialistas indicam que a safra de milho dos Estados Unidos poderia registrar uma quebra de entre 20 milhões a até 50 milhões de toneladas. A perda, que ainda não está completamente confirmada, dados os estágios ainda iniciais da nova safra, é resultado de uma combinação de um calendário apertado para os trabalhos de campo por conta do excesso de chuvas e de perdas de produtividade que já começam a ser registradas.

Em muitos locais onde o plantio pôde ser realizado, as condições de solo, temperaturas e as chuvas ainda muito frequentes também não permitem que as lavouras se desenvolvam de forma adequada. Com o atraso na semeadura, o ritmo da germinação também é o mais lento dos últimos anos. De acordo com os últimos números do USDA, são apenas 46% das plantações que já emergiram, contra 84% do ano passado, nessa mesma época, e da média dos últimos cinco anos. Na semana anterior, eram 32%. Todas essas adversidades resultam ainda em uma área recorde que este ano não deverá ser plantada nos Estados Unidos. As estimativas de quantos hectares serão efetivamente plantados ainda divergem. A Price Futures Group estima que serão ao menos 3,24 milhões de hectares a não serem plantados somente com milho.

Para a Informa Economics, serão de 1,5 milhão a 2 milhões de hectares, pelo menos, até este momento, que deixarão de ser semeados com o cereal, em relação à última área projetada em maio pelo USDA, de 37,56 milhões de hectares. Menos de 70% da área plantada, seriam aproximadamente 25 milhões de hectares já plantados, e plantar em menos de uma semana 10 milhões de hectares não será possível, justamente porque o clima não está ajudando. Além disso, já se planta fora da janela ideal de cultivo, acarretando perdas no potencial produtivo. Então, é muito arriscado para o produtor, mesmo com esse preço acima dos US$ 4,00 por bushel na Bolsa de Chicago, porque o rendimento pode não compensar esse risco. Segundo a Aliança Agro Ásia-Brasil, pode haver uma perda de 50 milhões de toneladas de milho nos Estados Unidos em função do cenário atual.

Existe também a possibilidade de uma baixa de 15 milhões de toneladas na soja, porém, ainda há elevada incerteza sobre os números, uma vez que o calendário ideal para a semeadura da oleaginosa ainda conta com um tempo hábil maior. Em resumo, os Estados Unidos ainda têm, entre soja e milho, mais de 33 milhões de hectares para serem plantados. E, por isso, o mercado ainda se questiona sobre quais serão as decisões tomadas pelos produtores a partir de agora. As chuvas continuam ocorrendo, sem dar ao menos tempo de os campos secarem um pouco para que as máquinas possam avançar. Os produtores continuam plantando milho quando os preços estão altos, e eles ainda não estão altos o suficiente. Os preços precisariam subir um pouco mais para que os produtores plantem com milho mais hectares. Haverá uma ideia melhor quando o USDA trouxer o relatório de área atualizado, no dia 28 de junho.