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23/Jan/2025

Meteoblue: meteorologia para otimizar produção

As mudanças climáticas, que deixam o clima ainda mais imprevisível, têm impulsionado a procura por serviços meteorológicos de alta precisão no Brasil, especialmente por parte do agronegócio. A Meteoblue, empresa suíça fundada em 2006 como spin-off de um projeto universitário, iniciou em 2022 uma joint venture no País para atender setores como agricultura, energia renovável e gestão urbana. A empresa nasceu de um desafio específico: desenvolver previsões precisas para regiões montanhosas da Suíça, onde a altitude pode variar de 500 a 3 mil metros em apenas 20 quilômetros. Os modelos tradicionais, com resolução de 50 a 100 quilômetros, não conseguiam captar essas variações. Era preciso que os meteorologistas analisassem manualmente cada região. Em 2008, a empresa expandiu sua tecnologia para outros continentes, incluindo América Latina, África e Sudeste Asiático.

A empresa decidiu ter modelos de eficiência única e disponibilizá-los na web. Hoje, tem usuários em mais de 200 países e atende comercialmente mais de 100 países. Para o mercado brasileiro, a Meteoblue desenvolveu sistemas que combinam diferentes fontes de dados com inteligência artificial. É preciso utilizar diversas ferramentas (satélites, estações meteorológicas, boias). A tecnologia permite que o sistema escolha automaticamente o melhor modelo para cada localidade. Em Campo Grande (MS), a empresa conduz um projeto de monitoramento urbano, com sensores que medem microclimas em diferentes áreas. O sistema permite identificar variações de temperatura e umidade entre bairros, auxiliando na previsão de enchentes. As informações também são usadas para monitorar queimadas e direcionar ações preventivas de enchentes. A instalação do sistema em outras cidades está em negociação.

Como parte dessa estratégia de expansão no Brasil, a Meteoblue firmou parceria com o Broadcast, da Agência Estado, disponibilizando o Weather Terminal, ferramenta que integra previsões detalhadas à plataforma de informações financeiras. O aumento dos eventos climáticos extremos reforça a necessidade de previsões mais assertivas. Em um congresso recente nos Estados Unidos, as seguradoras mostraram que os custos com indenizações por danos multiplicaram dez vezes em 30 anos. Parte desse aumento vem do valor maior dos bens. Mas o número de residências não cresceu dez vezes, indicando aumento real na frequência dos fenômenos. No setor agrícola, a imprevisibilidade das chuvas tem exigido maior precisão no planejamento. Antigamente, tinha a época de chuva, que começava em outubro no Brasil. A única discussão era se no começo ou fim do mês. Hoje, pode não chover até dezembro ou começar em agosto.

Na Europa, a dependência de previsões meteorológicas já é realidade em setores estratégicos da economia. Tem tanta energia renovável que é preciso prever excesso ou falta para gerenciar o armazenamento. No Brasil, além do agronegócio, o setor de energia renovável também demanda informações precisas. O País já era líder em energias renováveis antes mesmo da discussão atual sobre o tema. A expansão no mercado brasileiro ocorre de forma gradual. O cliente final, seja agricultor ou gestor urbano, ainda não está acostumado a consumir serviço meteorológico individual. Ele recebe mais como parte de um pacote mais amplo. Para o futuro, a Meteoblue vê o Brasil como mercado prioritário, apesar de ainda representar uma parcela menor do faturamento global da empresa comparado aos Estados Unidos e os países da Europa. O Brasil está no início de uma jornada em que a meteorologia será cada vez mais importante. Quem investir nessa tecnologia agora estará preparado para o futuro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.