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19/Oct/2023

Ferrogrão: GT vai analisar a viabilidade ambiental

O Ministério dos Transportes instituiu grupo de trabalho para acompanhamento da estruturação e recebimento de sugestões para o Projeto EF-170, que trata da concessão da Ferrogrão. O grupo será coordenado pela Pasta e contará com a participação de agentes da sociedade civil organizada, como entidades representativas de indígenas. A criação do grupo está em portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira (18/10). Há dez anos no papel e com custo estimado em R$ 21 bilhões, a Ferrogrão é um projeto de 933 quilômetros que pretende ligar a cidade de Sinop, em Mato Grosso, ao Porto de Mirituba, no Pará, formando um corredor de exportação para grãos produzidos na Região Centro-Oeste. A obra é cara ao agronegócio, que busca diminuir os custos do escoamento de grãos. Empresários do setor esperam, com a implantação da ferrovia, reduzir o preço do frete em R$ 60,00 por tonelada, o que representaria um ganho de R$ 6 bilhões anuais para as empresas.

Já os ambientalistas criticam a ferrovia sob o argumento de que estimulará a ocupação ilegal das terras indígenas, mais desmatamento e emissões de carbono. A portaria do Ministério dos Transportes diz que o GT terá foco nos aspectos de viabilidade socioambiental e econômica, nos instrumentos de gestão de riscos socioambientais e nas premissas de participação e controle social do Projeto da EF-170. A ideia é que a equipe identifique as partes interessadas no projeto e proponha os termos das condicionantes socioambientais para os estudos de viabilidade da Ferrogrão. O GT também discutirá as circunstâncias em que será promovida pelo responsável, em conformidade com a legislação de regência, a consulta aos povos indígenas e comunidades tradicionais. A elaboração e pactuação de um plano de consulta não será objeto deste Grupo de Trabalho, devendo ser realizado posteriormente ou paralelamente junto aos povos indígenas e comunidades tradicionais afetados.

A equipe será formada por servidores da Pasta e terá a participação, como convidados, com direito a voz e voto, dos seguintes entes da sociedade civil: Rede Xingu+; Instituto Kabu; representantes dos autores da Ação Direta de Inconstitucionalidade 6553, protocolada no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo PSOL em 2021. Fazendo-se necessário, o Grupo de Trabalho poderá convidar e solicitar apoio técnico do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Infra S.A., Ministério dos Povos Indígenas, Fundação Nacional dos Povos Indígenas e quaisquer outras entidades e instituições, públicas ou privadas, que possam colaborar com os trabalhos. O Grupo de Trabalho terá duração de 180 (cento e oitenta) dias, passível de prorrogação. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.