16/Nov/2022
Duas líderes em vendas de adubos no mercado brasileiro, a norueguesa Yara, listada em Oslo (Noruega), e a norte-americana Mosaic, com ações em Nova York (EUA), registraram forte lucro nos últimos trimestres, a despeito das dúvidas sobre o fornecimento desses insumos devido ao contexto geopolítico. É que a alta de preços, que desestimulou as compras dos agricultores mundo afora, foi justamente o fator que compensou a queda das entregas, contribuindo para os resultados. O cenário mexeu com os volumes comercializados no Brasil, um mercado chave para ambas. As duas multinacionais encabeçam as vendas locais, seguidas pela Fertipar (PR), a russa EuroChem e a Cibra (que tem como sócios o grupo Omimex e Anglo American). O ano atípico para o segmento pode mexer com a ordem do ranking.
As entregas da subsidiária brasileira da Yara caíram 40% em volume na comparação entre os terceiros trimestres de 2021 e 2022, para 1,763 milhão de toneladas de produtos, a maior parte fertilizantes, entre junho e setembro deste ano. Além de demanda desaquecida, a Yara enfrentou reveses ao ter de mudar sua rede de fornecedores, cancelando compras da Rússia para seguir à risca as sanções europeias estabelecidas diante da eclosão da guerra na Ucrânia. O volume comercializado pela subsidiária brasileira da Yara representa pouco mais de 60% das vendas da empresa no continente americano, e é quase o mesmo que o registrado na Europa, onde as entregas somaram 1,979 milhão de toneladas no terceiro trimestre. A companhia viveu uma situação estratégica mais delicada que a da Mosaic neste ano, porque compra fosfatados e potássio de terceiros.
A Mosaic, por sua vez, tem produção própria. Apesar do recuo nas entregas, a operação global da Yara conseguiu transformar o prejuízo de um ano atrás em lucro líquido de US$ 402 milhões no terceiro trimestre deste ano. As margens fortes garantiram retorno em todos os segmentos comerciais, mais do que compensando os volumes mais baixos, segundo o balanço. Mesmo diante do resultado, a companhia continua profundamente preocupada com o quadro de fornecimento de alimentos e fertilizantes na Europa e no mundo. A empresa repetiu o apelo por ações urgentes para reduzir a dependência da Rússia. Na divisão latino-americana da Mosaic, que engloba Brasil e Paraguai, as vendas recuaram 17%, para 2,8 milhões de toneladas de adubos. Ainda assim, superaram os volumes comercializados nas outras duas divisões (fosfatos e potássio).
Segundo a Mosaic Fertilizantes, os volumes de venda do trimestre acompanharam os movimentos de mercado e sua demanda. A recente melhora das relações de troca, resultado da alta nos preços das commodities e da redução dos preços dos adubos, impulsionam um aumento da demanda dos produtores rurais, visando a 2ª safra de 2023 e a safra de verão (1ª safra 2023/2024). O lucro da operação global da Mosaic cresceu 126% no trimestre encerrado em setembro, para US$ 842 milhões. Apesar das tensões no cenário, a Mosaic registrou vendas recorde ao longo de 2022, e que os fundamentos são favoráveis para o fim do ano. Apesar do retrato em 2022, projeções de consultorias e bancos indicam possível retomada de volumes entregues já em 2023. Para este ano, as estimativas apontam que o uso de adubos pelos agricultores deve cair de 6% a 10% ante 2021.
No ano passado, as empresas entregaram quase 46 milhões de toneladas de adubos, um recorde, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), entidade que representa o setor. Desde a semana passada, analistas da StoneX e do Rabobank vêm projetando uma possível retomada das entregas de fertilizantes em 2023. A StoneX, por enquanto, estima alta de 5% sobre 2022, destacando que se trata de uma posição inicial conservadora. O Rabobank fala em aumento de 4% ante as entregas estimadas pelo banco para 2022, de 42,75 milhões de toneladas. Tudo dependerá dos patamares de preços praticados. Mesmo que o agricultor tenha aplicado menos adubos nesta temporada, as terras brasileiras precisam de fertilização, sobretudo na Região Centro Oeste, importante produtora de grãos. Fonte: Valor Online. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.