05/Nov/2026
Segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), as entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 27,31 milhões de toneladas de janeiro a agosto de 2026, queda de 10,4% ante os 30,47 milhões de toneladas registrados em igual período de 2025. Em agosto, o volume alcançou 4,33 milhões de toneladas, recuo de 17,6% em relação aos 5,25 milhões de toneladas entregues no mesmo mês do ano passado. O primeiro trimestre apresentou movimento impulsionado pela demanda para a 2ª safra de milho. Entretanto, o início da guerra no Irã, em fevereiro, reduziu a realização de novos negócios. Entre maio e julho, as quedas nas entregas variaram de 15% a 20%, refletindo as adversidades geopolíticas internacionais e as dificuldades financeiras enfrentadas pelos produtores rurais. Entre os fatores que limitaram as compras estão a escassez de crédito, os riscos de recuperação judicial, as taxas de juros elevadas, o aumento dos custos de produção e as incertezas climáticas associadas ao fenômeno El Niño. Esse conjunto de pressões afetou a capacidade financeira dos agricultores e o momento de decisão de compra dos insumos.
Mato Grosso liderou as entregas nacionais no acumulado até agosto, com 6,77 milhões de toneladas, equivalentes a 24,8% do total. Na sequência, aparecem Paraná, com 3,07 milhões de toneladas; Goiás, com 2,90 milhões de toneladas; São Paulo, com 2,79 milhões de toneladas; Rio Grande do Sul, com 2,24 milhões de toneladas; Minas Gerais, com 2,07 milhões de toneladas; e Bahia, com 1,96 milhão de toneladas. A produção nacional de fertilizantes intermediários totalizou 418 mil toneladas em agosto, queda de 40,2% na comparação anual. De janeiro a agosto, a fabricação alcançou 3,75 milhões de toneladas, retração de 22,7% ante as 4,86 milhões de toneladas produzidas em igual intervalo de 2025. A Anda ressalta que os dados não capturam integralmente toda a produção nacional, em razão de mudanças na estrutura societária de empresas e da retomada das operações em determinados ativos, especialmente nos segmentos de ureia e cloreto de potássio. As importações de fertilizantes intermediários também recuaram.
Em agosto, foram desembarcadas 3,03 milhões de toneladas, redução de 34% ante o mesmo mês de 2025. No acumulado dos oito primeiros meses de 2026, as compras externas somaram 24,27 milhões de toneladas, queda de 12% em relação às 27,58 milhões de toneladas importadas no mesmo período do ano passado. O Porto de Paranaguá respondeu por 24% das importações brasileiras de fertilizantes intermediários entre janeiro e agosto, com o recebimento de 5,83 milhões de toneladas. O volume representa redução de 17,7% em relação às 7,08 milhões de toneladas movimentadas no mesmo intervalo de 2025. O Brasil entra no período de compras de insumos com ritmo mais lento de importações, menor produção nacional e retração das entregas internas. Apesar desse cenário, a demanda estrutural do setor permanece sustentada pelo crescimento da produção agrícola. A entidade observa, contudo, mudanças na capacidade financeira dos produtores e no momento em que as decisões de aquisição de fertilizantes são tomadas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.