05/Nov/2026
Segundo o Rabobank, os preços dos fertilizantes fosfatados devem permanecer elevados por pelo menos 12 a 18 meses, pressionados pelo aumento dos custos das matérias-primas. Nesse cenário, produtores brasileiros tendem a continuar recorrendo às reservas de fósforo acumuladas no solo por meio de adubações anteriores, reduzindo temporariamente a necessidade de novas aplicações. Os custos de amônia e enxofre têm pressionado a produção de fertilizantes fosfatados, sustentando os preços em patamares elevados e dificultando as compras brasileiras. O enxofre já apresentava preços elevados antes do conflito no Oriente Médio e registrou nova valorização com a guerra, ampliando a pressão sobre os custos de produção.
O encarecimento das matérias-primas mantém o mercado de fosfatados restrito e deve continuar influenciando as importações brasileiras. A pressão ocorre em um momento de limitações financeiras dos produtores, que têm buscado reduzir os gastos com insumos. Uma das alternativas é aproveitar o fósforo residual de aplicações realizadas em safras anteriores, que permanece disponível no solo e pode atender temporariamente às necessidades das lavouras. Essa estratégia, contudo, não elimina a necessidade de reposição do nutriente no longo prazo. A redução das aplicações pode ser mantida por determinado período, mas os produtores precisarão retomar a adubação fosfatada para preservar a fertilidade do solo e sustentar a produtividade das culturas. A necessidade de recomposição da adubação é um dos fatores que sustentam a expectativa de recuperação das entregas totais de fertilizantes em 2027, mesmo diante da perspectiva de preços elevados dos fosfatados.
O banco também considera que a estabilização das margens operacionais poderá favorecer a retomada das compras de insumos após o período de maior restrição financeira. A melhora da capacidade de investimento dos produtores, porém, depende da manutenção de margens favoráveis nas próximas safras. A renda obtida com a combinação de soja e milho na mesma propriedade poderá contribuir para a recuperação financeira, mas o endividamento e o custo do crédito continuam limitando o poder de compra dos agricultores. Uma melhora mais consistente é esperada a partir da safra 2027/28. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.