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27/Oct/2026

Tecnologia: internet móvel via satélite chega ao Brasil

O Brasil passou a integrar o grupo de países com oferta de internet móvel via satélite por meio da tecnologia direct to device (D2D), que conecta celulares diretamente aos satélites, sem depender de antenas ou roteadores instalados em solo. A solução busca ampliar a cobertura em áreas remotas, como propriedades rurais, regiões florestais e rodovias, além de permitir comunicação em situações de emergência e desastres naturais que comprometam a infraestrutura terrestre. Embora a capacidade atual seja inferior à das redes móveis convencionais, a expectativa é de avanços tecnológicos nos próximos anos. A Vivo anunciou uma parceria com a Starlink, empresa de Elon Musk, para oferecer o serviço em todo o território brasileiro. A conexão será disponibilizada sem custo adicional para clientes de todos os planos pós-pagos e de parte dos planos controle e pré-pagos. As operadoras Claro e TIM também estudam a adoção do modelo.

Outra iniciativa foi anunciada em 23 de outubro, quando as provedoras Unifique, Brisanet e Iez Telecom assinaram um acordo comercial com a norte-americana AST SpaceMobile para lançar um serviço de banda larga móvel baseado na tecnologia D2D. A empresa abriu recentemente um escritório em São Paulo, ampliando sua presença no mercado brasileiro. A chegada dessas ofertas representa uma nova etapa para o setor de telecomunicações. Nos últimos anos, a internet via satélite ganhou espaço na banda larga fixa, que depende de equipamentos instalados em solo para receber o sinal. A tecnologia D2D amplia essa aplicação ao permitir a conexão direta com celulares, criando uma alternativa de cobertura para regiões nas quais as operadoras tradicionais não dispõem de infraestrutura. A expansão também pode se tornar um fator de diferenciação comercial entre as operadoras.

Acordos com empresas de satélites permitem oferecer conectividade em locais antes sem sinal móvel, ampliando a cobertura dos planos e a capacidade de atendimento. Nos Estados Unidos, as três maiores operadoras já estabeleceram parcerias com a Starlink. A T-Mobile lançou comercialmente seu serviço em julho de 2025, seguida por acordos semelhantes da AT&T e da Verizon. Na América Latina, a Starlink firmou parcerias com a Entel, no Chile e no Peru, com a Liberty, no Panamá e na Costa Rica, e com a CNT, no Equador. A AST SpaceMobile, por sua vez, mantém acordos com a AT&T e a Verizon nos Estados Unidos e com a Vodafone na Europa. A expansão internacional desses contratos indica o avanço do modelo de integração entre redes terrestres e infraestrutura orbital. Na fase inicial, os serviços D2D estarão concentrados em funções básicas, como envio de mensagens, comunicação por voz e acesso a ferramentas de localização, incluindo o Google Maps, além de um conjunto limitado de aplicativos.

A velocidade de navegação é inferior à das redes 4G e 5G devido à maior distância percorrida pelo sinal entre o celular e os satélites e à largura de banda restrita das frequências utilizadas. A evolução da tecnologia depende do lançamento de satélites mais modernos e de mudanças regulatórias que permitam o uso de faixas de frequência mais largas. Essas alterações poderão ampliar a capacidade de transmissão de dados e viabilizar aplicações mais exigentes. Embora empresas como a AST SpaceMobile projetem sistemas capazes de suportar dados, voz e vídeo, as implementações comerciais atuais priorizam serviços de menor consumo de rede. O principal benefício imediato é permitir que usuários em áreas remotas mantenham algum nível de comunicação, de forma complementar às redes terrestres. As perspectivas de crescimento também atraem novos concorrentes internacionais. Analistas do UBS avaliam que o mercado de internet fixa e móvel via satélite deverá se expandir nos próximos anos, com a entrada de empresas chinesas.

Entre elas está a SpaceSail, autorizada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) a operar sua constelação de satélites no Brasil, embora ainda não tenha iniciado o serviço comercial. A Amazon também prepara sua atuação no País com satélites próprios, em parceria com a Sky. A ampliação da concorrência, contudo, levanta dúvidas sobre a relação futura entre as operadoras locais e as empresas de satélites. Caso estas últimas passem a oferecer serviços diretamente aos consumidores, sem intermediários, poderão disputar clientes com as próprias companhias que hoje viabilizam sua entrada nos mercados nacionais. Esse movimento exigiria acesso a frequências próprias, licenciadas pelos órgãos reguladores, e infraestrutura local de torres e antenas para distribuir o sinal. Nos Estados Unidos, a Starlink já começou a adquirir frequências e a avaliar contratos para utilização de torres. Além da concorrência comercial, o D2D apresenta implicações regulatórias e geopolíticas.

Especialistas apontam que a concentração de infraestrutura e capacidade de conectividade nas mãos de empresas privadas estrangeiras pode gerar riscos para a soberania nacional e para a continuidade de serviços estratégicos. Como exemplo, foi mencionada a suspeita do governo ucraniano de que a Starlink teria reduzido o sinal de internet no país, afetando o gerenciamento de drones utilizados na guerra. O episódio reforça a necessidade de avaliar o poder de mercado e a influência geopolítica associados ao controle dessas tecnologias. Dessa forma, a expansão da internet móvel via satélite abre oportunidades para ampliar a conectividade no Brasil, especialmente no agronegócio, na logística e em regiões sem cobertura convencional. Ao mesmo tempo, a evolução do setor dependerá dos ganhos tecnológicos, das condições regulatórias, da concorrência entre fornecedores e da capacidade de estabelecer relações sustentáveis entre operadoras terrestres e empresas de satélites. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.