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26/Oct/2026

Porto de Santos: etanol abastecerá navios regularmente

A Autoridade Portuária de Santos (APS), empresa pública vinculada ao Ministério de Portos e Aeroportos, iniciou as operações regulares de abastecimento de navios com etanol no Porto de Santos. A primeira operação ocorreu em 19 de outubro, com o abastecimento do CMA CGM IRON, navio porta-contêineres com capacidade para 13 mil TEU, equivalentes a 13 mil contêineres padrão de 20 pés. A embarcação é equipada com o primeiro motor tricombustível do mundo certificado para operar com etanol, o Everllence-B&W G95ME-C10.5-LGIM. A iniciativa dá continuidade à operação pioneira realizada em julho, por meio de uma parceria entre CMA CGM, empresa global de transporte marítimo, terrestre e aéreo e de logística; Copersucar, líder global nos setores de açúcar e etanol; Bunker One, subsidiária do grupo dinamarquês Bunker Holding, líder global na comercialização de combustíveis marítimos; AGEO Terminais; e Santos Brasil.

A nova etapa transforma a experiência inicial em um modelo regular de fornecimento, ampliando o potencial de posicionamento do Porto de Santos e do Brasil como centros de abastecimento de combustíveis de baixo carbono. Até o fim de 2026, estão previstos novos abastecimentos de navios da CMA CGM com etanol fornecido pela Copersucar. O biocombustível utilizado conta com uma cadeia de produção consolidada e certificada. A expansão da cana-de-açúcar ocorre predominantemente sobre áreas de pastagens degradadas, enquanto o RenovaBio, Política Nacional de Biocombustíveis, estabelece critérios rigorosos de sustentabilidade e de desmatamento zero. Essas características contribuem para posicionar o etanol brasileiro como alternativa para a redução da intensidade de carbono no transporte marítimo. O potencial de mercado é expressivo.

A demanda global por combustíveis marítimos supera 270 bilhões de litros por ano. Segundo cálculos da APS, considerando a equivalência energética entre os combustíveis, a substituição de apenas 10% desse consumo poderia representar um mercado adicional de aproximadamente 50 bilhões de litros de etanol por ano. A viabilização do abastecimento depende da integração entre produção, transporte, armazenamento e fornecimento. O etanol produzido pelas usinas associadas à Copersucar é fornecido e transportado até o Porto de Santos pela Evolua Etanol, empresa do Ecossistema Copersucar, e armazenado pela AGEO Terminais. A estrutura logística permite disponibilizar o biocombustível para o abastecimento de embarcações, conectando a capacidade produtiva brasileira à demanda do transporte marítimo.

A etapa de abastecimento ocorre no terminal da Santos Brasil. Para viabilizar a operação, a Bunker One desenvolveu um protocolo pioneiro na América Latina, após meses de estudos e treinamento específico das equipes, considerando o baixo ponto de fulgor do etanol e os procedimentos necessários para o manuseio seguro do combustível. As perspectivas de expansão também estão associadas à evolução da frota marítima. De acordo com a Det Norske Veritas (DNV), 159 embarcações já operam com motores preparados para metanol, tecnologia que permite a utilização de etanol. Outros mais de 450 navios equipados com esse tipo de motor têm entrega prevista até 2030. O crescimento da frota compatível poderá ampliar o mercado potencial para o biocombustível e favorecer a adoção de alternativas energéticas de menor intensidade de carbono no transporte marítimo.

A CMA CGM considera que a passagem da operação pioneira para o abastecimento regular demonstra a possibilidade de incorporar o etanol às atividades marítimas com segurança, confiabilidade e escala comercial. A iniciativa integra a estratégia da companhia de acelerar a adoção de soluções de menor intensidade de carbono e apoiar o desenvolvimento de novos ecossistemas energéticos para o setor. Para a Copersucar, o início das operações regulares representa a abertura de um novo mercado internacional para o etanol e o estabelecimento do primeiro corredor verde de abastecimento marítimo com o combustível no mundo. A iniciativa conecta a capacidade de produção e logística do Brasil à demanda global por descarbonização e cria uma nova possibilidade de crescimento para o setor, apoiada na disponibilidade, na escala e na competitividade do biocombustível nacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.