26/Oct/2026
A defasagem do preço do diesel nas refinarias da Petrobras superou, pela primeira vez, o valor da subvenção concedida pelo governo federal, diante da alta contínua do petróleo no mercado internacional e da pressão sobre as cotações dos combustíveis. Após o fechamento de 22 de outubro, a diferença entre o preço praticado pela estatal e a referência internacional atingiu média de 108%, equivalente a R$ 3,53 por litro, acima do desconto de R$ 3,52 por litro previsto na subvenção, segundo dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).
O mercado mantém a expectativa de reajustes nos preços dos combustíveis da Petrobras após as eleições de 25 de outubro. No caso do diesel, não havia reajuste há 145 dias, enquanto o combustível acumulava valorização de aproximadamente 70% no mercado internacional ao longo de 2026. Para a gasolina, a pressão é menor após o aumento de R$ 0,44 por litro promovido pela estatal em meados de setembro. A possibilidade de aumento ganhou força diante da ausência de perspectivas concretas de encerramento dos conflitos entre Estados Unidos e Irã e entre Rússia e Ucrânia, que restringem a oferta mundial de petróleo e diesel.
A expectativa inicial do mercado era de que o petróleo permanecesse em torno de US$ 50,00 por barril em 2026. Nas últimas semanas, entretanto, as cotações passaram a operar acima de US$ 100,00 por barril, ampliando a pressão sobre os custos de importação e a defasagem dos preços domésticos. Nesse cenário, a diferença entre os preços internos e internacionais aumenta a pressão por uma revisão dos valores praticados nas refinarias da Petrobras, principalmente para o diesel, combustível estratégico para o transporte rodoviário de cargas e o escoamento da produção agropecuária.
Um eventual reajuste poderá elevar os custos logísticos e pressionar as despesas de produção e distribuição de alimentos no Brasil. O Conselho de Administração da Petrobras tem reunião prevista para 26 de outubro para avaliar os preços dos combustíveis, com atenção especial ao diesel. A decisão será acompanhada pelo mercado diante da defasagem acumulada, da trajetória das cotações internacionais do petróleo e dos possíveis efeitos sobre os custos de abastecimento no País. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.