ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

23/Oct/2026

Máquinas Agrícolas: Brasil eleva importação em 2026

Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o Brasil importou 11,2 mil tratores agrícolas entre janeiro e setembro de 2026, aumento de 42% em relação às 7,9 mil unidades adquiridas no exterior em igual período de 2025. Índia e China responderam, juntas, por 93% das importações, com 5.249 unidades provenientes de cada país. O volume de máquinas importadas da China cresceu 117% na comparação anual, enquanto as compras originárias da Índia aumentaram 11%, levando os dois países a participações semelhantes no mercado brasileiro. Os tratores com potência entre 50 cavalos e 100 cavalos, destinados principalmente à agricultura familiar, concentraram 90% das importações do período. Foram 6.412 unidades dessa categoria, crescimento de 56% ante os nove primeiros meses de 2025.

O avanço das compras externas ocorre em um cenário de dificuldades financeiras no agronegócio, marcado pelo aumento da inadimplência, pela redução da rentabilidade dos produtores diante da queda dos preços das commodities e pelo custo ainda elevado do crédito. O endividamento elevado e a baixa rentabilidade no campo têm desestimulado a aquisição de máquinas novas. A associação defende condições equilibradas de concorrência entre fabricantes nacionais e importadores, sem restringir a entrada de novas marcas ou tecnologias, mas com requisitos compatíveis de qualidade, segurança, assistência técnica e responsabilidade sobre os produtos. O crescimento das importações e a concentração em equipamentos de menor potência colocam o setor de máquinas agrícolas em um dos períodos mais difíceis dos últimos dez anos.

Entre as alternativas para enfrentar esse cenário estão a combinação de tarifas, condições de financiamento e exigências de produção local, com diferenciação entre empresas que apenas importam equipamentos e aquelas que mantêm atividade produtiva no Brasil. A ausência de demanda suficiente e a expansão das importações podem aumentar a dependência da indústria nacional em relação a componentes estrangeiros, mesmo nas máquinas montadas no País. Esse movimento representa um risco para a cadeia de fornecedores de peças e insumos, que inclui os segmentos de aço, plástico e materiais têxteis. A distribuição geográfica das importações também apresenta concentração. Das 5.249 máquinas provenientes da Índia, 90,1% ingressaram no Brasil por São Paulo ou Rio Grande do Sul. No caso das 5.249 unidades originárias da China, 85,5% chegaram pelos Estados do Espírito Santo ou de Santa Catarina.

Os dados indicam a existência de rotas logísticas concentradas para as máquinas provenientes dos dois países asiáticos. O avanço das importações contrasta com a retração das vendas internas. Entre janeiro e agosto de 2026, as vendas de máquinas agrícolas no varejo brasileiro somaram 27 mil unidades, queda de 15,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. As vendas de tratores recuaram 14,1%, para 25,5 mil unidades, enquanto as de colheitadeiras diminuíram 39,4%, para 1,4 mil unidades. O comportamento divergente entre as importações e o mercado doméstico evidencia as dificuldades enfrentadas pela indústria nacional em um ambiente de crédito caro, margens reduzidas no campo e menor disposição dos produtores para investir em equipamentos. Nesse contexto, a evolução das condições de financiamento, das regras de concorrência e da demanda por máquinas será determinante para a atividade industrial e para a cadeia de fornecedores instalada no Brasil. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.