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23/Oct/2026

Logística: juros altos pressionam custos no Brasil

Os gastos com logística no Brasil devem alcançar R$ 2,2 trilhões em 2026, o equivalente a 16,1% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. Segundo estudo do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS), o montante representa o maior patamar estrutural desde 2022 e reflete a pressão dos custos de transporte, armazenagem e financiamento de estoques sobre as empresas. O levantamento considera as despesas relacionadas à movimentação e ao armazenamento de mercadorias, além do custo financeiro de manter estoques. O avanço dos gastos acompanha o ciclo de política monetária restritiva, com juros elevados encarecendo o capital imobilizado ao longo da cadeia logística. A taxa Selic está em 13,75% ao ano, mesmo após os cortes promovidos pelo Banco Central em 2026. Nesse cenário, o custo financeiro dos estoques ganha relevância na estrutura de despesas das empresas, ampliando a pressão sobre os resultados.

Além do volume de mercadorias armazenadas, o custo de manutenção desses estoques passa a influenciar de forma mais expressiva o desempenho financeiro dos negócios. Pela perspectiva empresarial, a logística consome, em média, 9,5% da receita líquida das companhias brasileiras. A construção é o segmento com maior peso relativo desses custos, enquanto os setores de tecnologia e telecomunicações registram a menor pressão logística sobre as receitas. As perspectivas para 2027 indicam continuidade da alta das despesas. Segundo o ILOS, 69% das empresas brasileiras esperam aumento dos custos de transporte no próximo ano, com elevação média projetada de 9,6%. Na armazenagem, 44% das companhias preveem aumento, de 5,7% em média. Em relação aos estoques, 31% esperam alta média de 7,0%. A pressão sobre a logística também ocorre em meio às mudanças nos padrões de distribuição e consumo, especialmente com a expansão do comércio eletrônico.

O crescimento das compras pela internet exige maior capilaridade na entrega, gestão mais complexa dos estoques e adaptação das operações para atender aos prazos e à dispersão geográfica dos consumidores. Segundo dados da Receita Federal, o Brasil recebeu quase 110 milhões de remessas postais e expressas no primeiro semestre de 2026. O volume reforça a dimensão das operações de distribuição de mercadorias e os desafios de movimentação e entrega que integram a cadeia logística nacional. O cenário combina juros elevados, custos crescentes de transporte e armazenagem e maior complexidade na distribuição. Para as empresas, a evolução dessas despesas tende a exigir maior eficiência na gestão de estoques, no planejamento das rotas e na utilização da infraestrutura logística, em um contexto no qual o custo de movimentar e manter mercadorias assume peso relevante na rentabilidade. Fonte: CNN Brasil. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.