21/Oct/2026
O setor brasileiro de infraestrutura considera necessário rever a situação financeira e os modelos de gestão de empresas estatais que atuam em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos a partir de 2027. A avaliação é de que o próximo mandato presidencial deverá priorizar soluções para companhias deficitárias, incluindo planos de privatização, concessões, parcerias público-privadas (PPPs) ou unificação de estruturas administrativas. A expectativa do setor é de que um eventual novo governo Lula encontre maior resistência política para avançar com medidas de desestatização, em razão do posicionamento estatizante do partido. Uma gestão de Flávio Bolsonaro, por sua vez, poderia abrir espaço para a discussão, embora com ritmo potencialmente menos acelerado do que o observado em algumas iniciativas conduzidas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
No segmento portuário, a revisão da estrutura administrativa das autoridades portuárias de menor porte é considerada uma medida relevante, embora com menor urgência. A proposta envolve concessões capazes de reduzir gastos administrativos e transferir à iniciativa privada atribuições relacionadas à gestão dos portos, à manutenção dos acessos e à coordenação das atividades operacionais. O modelo tem como referência a antiga Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa), atualmente Vports. Entre as empresas que poderiam entrar nessa discussão estão a Companhia Docas do Ceará (CDC), a Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), a Companhia Docas do Estado da Bahia (Codeba) e a Companhia Docas do Pará (CDP). A eventual transferência dessas estruturas à iniciativa privada seria parte de uma revisão dos modelos de administração de portos de menor escala.
A avaliação do setor é favorável à manutenção do controle estatal da Infra S.A., do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Caixa Econômica Federal. Essas instituições são consideradas relevantes para a estruturação de projetos de infraestrutura, a viabilização de concessões e a implementação de PPPs. A percepção é de que a privatização dessas instituições poderia gerar mais riscos do que benefícios, diante da necessidade de encontrar outros agentes capazes de assumir suas funções e dar continuidade à carteira de projetos em andamento. A substituição poderia comprometer a capacidade do Estado de planejar investimentos e estruturar iniciativas de infraestrutura, reforçando a distinção entre empresas com necessidade de reestruturação e instituições consideradas estratégicas para a política de investimentos públicos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.