20/Oct/2026
A previsão de publicação, até dezembro, do edital de concessão do Anel Ferroviário Sudeste (EF-118), com leilão esperado para abril de 2027, amplia as perspectivas de expansão do Porto do Açu, no norte fluminense. A conexão ferroviária pode estimular a ampliação da área construída do complexo e atrair novos volumes de carga, especialmente no transporte de contêineres. Em operação desde 2014, o porto reúne 30 empresas instaladas e 11 terminais privados e avalia novos investimentos para os próximos meses. A expectativa de implantação da ferrovia já desperta o interesse de potenciais participantes da concessão e de empresas que poderão utilizar a infraestrutura logística. A conexão deve demandar terminais dedicados, estruturas de transbordo e parques multimodais para a transferência de cargas dos vagões para o transporte rodoviário.
Como porto de bandeira branca, o Porto do Açu pretende manter uma estratégia aberta à participação de diferentes empresas e ampliar a atração de operadores para o complexo. Com traçado previsto de 571 quilômetros entre Nova Iguaçu (RJ) e Santa Leopoldina (ES), a EF-118 tem potencial para transportar cerca de 40 milhões de toneladas no longo prazo, conforme estimativa do Ministério dos Transportes. A entrada em operação está prevista a partir de 2035, inicialmente pelo trecho prioritário entre São João da Barra (RJ), onde está localizado o Porto do Açu, e Santa Leopoldina (ES). O projeto também contempla a possibilidade de expansão pelo trecho sul, que permitiria atravessar o Estado do Rio de Janeiro de ponta a ponta, do norte fluminense à Baixada Fluminense, onde está o complexo Boa Ventura, antigo Comperj. Para o Porto do Açu, a demanda potencial pode superar os volumes considerados nos estudos da ferrovia.
Atualmente, pouco mais de 40% da demanda estimada para o modal tem origem ou destino no complexo portuário. A infraestrutura existente, que inclui capacidade de armazenamento de líquidos, projetos relacionados a cargas como grãos e outros produtos vegetais e áreas disponíveis para novas construções, pode gerar necessidades adicionais de transporte ferroviário. A inclusão do trecho sul no edital também pode ampliar o potencial de movimentação de contêineres. A extensão da ferrovia contribuiria para conectar diferentes regiões do Estado do Rio de Janeiro e, segundo a avaliação do projeto, seria necessária para preservar o equilíbrio econômico da concessão. Para aumentar a atratividade do leilão, o governo considera mecanismos de financiamento e garantias, incluindo contas vinculadas, que utilizam recursos de contratos maduros para financiar novos projetos, aportes públicos, garantias do Fundo de Desenvolvimento da Infraestrutura Regional Sustentável (FDIRS) e financiamento de longo prazo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A legalidade do modelo financeiro e da utilização de contas vinculadas ainda depende de julgamento do Tribunal de Contas da União (TCU), embora a avaliação apresentada pelo setor seja de que a discussão já alcançou um entendimento consolidado. A relevância estratégica da EF-118 também é associada à possibilidade de melhorar a competitividade logística brasileira, independentemente de mudanças políticas ou de governo. Além da ferrovia, outra ligação considerada importante para o desenvolvimento do Porto do Açu é a Rota do Açu, na BR-356, entre Muriaé (MG) e São João da Barra (RJ). O Ministério dos Transportes prevê o leilão da rodovia para dezembro de 2027. A concessão é vista como necessária para aumentar a eficiência logística regional e melhorar a integração do complexo portuário com o transporte terrestre.
O Porto do Açu também prevê avançar nos investimentos em um terminal de grãos nos próximos meses, com o objetivo de viabilizar sua operação pelo modal rodoviário e alcançar capacidade de movimentação de 10 milhões de toneladas. A expansão depende da evolução das conexões terrestres e da integração entre os diferentes modais de transporte. A estratégia é aproveitar os investimentos já realizados na infraestrutura portuária para ampliar a competitividade do Brasil nas operações de importação e exportação. Nesse contexto, a evolução conjunta dos projetos ferroviário e rodoviário é considerada fundamental para aumentar a capacidade de movimentação de cargas, atrair novos empreendimentos e consolidar o Porto do Açu como plataforma logística. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.