19/Oct/2026
O Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert) defende o fortalecimento da indústria brasileira de fertilizantes para reduzir a dependência externa de insumos utilizados na agricultura. Em carta aberta divulgada em 13 de outubro, durante o Dia Mundial dos Fertilizantes, a entidade abordou a crise enfrentada pelo setor em 2026 e a necessidade de ampliar a capacidade nacional de produção, agregação de valor e desenvolvimento tecnológico. O Sinprifert avalia que o agronegócio brasileiro consolidou, ao longo de três décadas, um modelo de dependência de fornecedores internacionais, no qual parte da riqueza gerada pelas exportações de alimentos é destinada à aquisição de fertilizantes no exterior.
Segundo a entidade, o Brasil direcionou R$ 1,4 trilhão, em valores atuais, à compra desses insumos importados nos últimos 30 anos. Atualmente, as importações correspondem a 85% do total de fertilizantes utilizados no País. O apelo ocorre em um cenário de pressão sobre os custos e a disponibilidade dos insumos. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que os preços dos fertilizantes importados aumentaram 12,8% em agosto. Os gargalos recentes no Estreito de Ormuz contribuíram para elevar os custos de componentes como ureia, nitrato, sulfato de amônio e enxofre, além de pressionarem os preços do gás, do frete marítimo e do transporte rodoviário. As dificuldades logísticas e o encarecimento dos insumos também afetaram o abastecimento interno.
Em julho, as entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro recuaram 22,3%, movimento que já prejudicou o desempenho de diferentes produtos agrícolas nacionais. O quadro evidencia a exposição da produção agropecuária às oscilações internacionais de preços, às restrições logísticas e às condições de oferta dos fornecedores externos. Para o Sinprifert, os recursos empregados na compra de fertilizantes importados contribuíram para gerar renda, empregos e capacidade industrial em outros países, enquanto o Brasil permaneceu dependente do fornecimento externo. A entidade defende ampliar os investimentos em uma indústria nacional capaz de produzir insumos de maior valor agregado, fortalecer as cadeias produtivas internas e reter no País uma parcela maior dos benefícios econômicos associados ao agronegócio.
A estratégia proposta também contempla a sustentabilidade da produção, com estímulo à economia circular, ao uso de energia renovável e à inovação biotecnológica. O objetivo é combinar maior autonomia no abastecimento de fertilizantes com redução da pegada ambiental e desenvolvimento de soluções tecnológicas adaptadas às necessidades da agricultura brasileira. Na carta, o Sinprifert estabelece cinco compromissos para orientar essa transformação: ampliar o retorno dos investimentos realizados no Brasil para a própria economia nacional; recuperar a fertilidade dos solos; reduzir progressivamente a pegada ambiental; posicionar o Brasil na liderança da próxima revolução verde; e transformar as perspectivas de desenvolvimento em resultados concretos. Fonte: Canal Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.