19/Oct/2026
Segundo o Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), os custos logísticos no Brasil, que abrangem transporte, estoques, armazenagem e administração, devem alcançar R$ 2,2 trilhões em 2026, o equivalente a 16,1% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme estimativa do Em 2025, esses gastos corresponderam a 15,5% do PIB, indicando aumento da participação da logística na economia brasileira. O transporte representa mais da metade dos custos logísticos e mantém participação próxima de 9% do PIB desde 2020. No mesmo período, os gastos com estocagem registraram a maior variação, passando de 2,9% do PIB em 2020 para 5,6% em 2025.
A evolução reflete o aumento do peso dos estoques na estrutura de custos das empresas, com efeitos sobre a necessidade de capital de giro e os resultados operacionais. Entre as 100 maiores empresas industriais e varejistas do Brasil em faturamento, os custos logísticos representam cerca de 9,5% da receita líquida das companhias analisadas. A participação varia significativamente entre os setores. Nas empresas de materiais de construção, os gastos com logística equivalem a 19,8% da receita, enquanto no segmento de tecnologia correspondem a apenas 3%, evidenciando diferenças na estrutura operacional e na intensidade logística de cada atividade.
As perspectivas para 2027 indicam continuidade da pressão sobre os custos. Entre as 100 empresas consultadas pelo Ilos, 69% projetam aumento das despesas logísticas no próximo ano, com alta média esperada de 9,6%. A avaliação do instituto é de que o setor ainda não atingiu o pico dos custos, o que mantém a logística como um fator de pressão sobre as margens e a competitividade das empresas. A elevação dos gastos com estoques está associada, entre outros fatores, ao nível elevado da taxa básica de juros, que aumenta o custo financeiro do capital imobilizado em mercadorias.
Nesse contexto, a manutenção de estoques passa a representar um componente estrutural mais relevante nas despesas empresariais, reduzindo a rentabilidade e ampliando a necessidade de eficiência na gestão de suprimentos. A consolidação dos custos logísticos acima de 16% do PIB, três anos após o salto registrado em 2022, reforça a dificuldade de redução dessas despesas. As próprias empresas projetam novos aumentos superiores à inflação esperada, cenário que poderá pressionar as margens operacionais, elevar os preços ao consumidor e comprometer a competitividade do País. A trajetória dos custos dependerá da evolução dos juros, da gestão de estoques, da eficiência dos processos e da capacidade das empresas de absorver ou repassar as despesas adicionais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.