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19/Oct/2026

Energia Solar com armazenamento ganha espaço

Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar), o Brasil poderá alcançar um dos menores custos mundiais para a geração de energia solar firme em 2035, com valor estimado em US$ 41,00 por megawatt-hora (MWh), ficando atrás apenas da China, segundo projeções da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena). O cálculo considera a combinação entre geração fotovoltaica e sistemas de armazenamento em baterias, com nível de confiabilidade de 95%. Na comparação entre os mercados avaliados, o Brasil aparece na segunda posição, empatado com Omã e atrás da China, onde o custo estimado é de aproximadamente US$ 33/MWh. Para 2035, a Índia apresenta custo próximo de US$ 47/MWh, enquanto Austrália e África do Sul registram valores em torno de US$ 50/MWh. Os Estados Unidos aparecem com o maior custo entre os países analisados, próximo de US$ 59/MWh.

As projeções integram o estudo 24/7 Renewables: The Economics of Firm Solar and Wind, da Irena, que acompanha a evolução dos custos de sistemas capazes de transformar fontes renováveis variáveis em uma oferta de eletricidade mais previsível ao longo do dia. A análise utiliza o custo nivelado de energia firme (Firm LCOE), indicador que estima o custo de fornecimento de eletricidade considerando determinado nível de disponibilidade e confiabilidade, além das características do projeto, dos recursos renováveis e das condições de armazenamento. A métrica representa uma referência específica por projeto e localidade, não uma média aplicável a todos os empreendimentos de um país. Um dos principais fatores para a redução dos custos é o barateamento das baterias. Globalmente, os custos dos sistemas de armazenamento recuaram 93% entre 2010 e 2024, passando de US$ 2.634 por quilowatt-hora (kWh) para US$ 197/kWh.

Nas localidades com recursos solares de alta qualidade avaliadas pela Irena, o custo da energia firme ficou entre aproximadamente US$ 65/MWh e US$ 82/MWh em 2025. Para 2035, a projeção é de redução para uma faixa entre US$ 37/MWh e US$ 58/MWh. No Brasil, uma localidade de alta irradiação solar na Bahia apresenta custo estimado de aproximadamente US$ 65/MWh em 2025, com previsão de recuo para US$ 44/MWh em 2030. A trajetória reforça o potencial de competitividade da combinação entre geração fotovoltaica e armazenamento, embora os resultados dependam das condições específicas de cada projeto. A integração entre energia solar e baterias permite deslocar parte da geração para períodos de maior demanda, reduzir a necessidade de geração convencional de suporte e ampliar o aproveitamento da infraestrutura elétrica existente.

A evolução tecnológica e a queda dos custos de armazenamento também tendem a aumentar a previsibilidade e a flexibilidade da oferta renovável, favorecendo o atendimento a novos perfis de consumo. Entre os segmentos com demanda crescente por fornecimento mais estável estão os data centers, os projetos de hidrogênio verde e as indústrias eletrointensivas. Na China, a energia solar firme combinada com armazenamento já apresenta custos inferiores aos da geração a carvão e a gás. Outros mercados também avançam nessa direção, ampliando as possibilidades de utilização das fontes renováveis em sistemas que exigem maior disponibilidade de energia. Para o Brasil, a redução dos custos de armazenamento pode abrir uma nova etapa de expansão das renováveis, na qual a competitividade deixa de ser avaliada apenas pelo custo da geração e passa a incorporar também a disponibilidade, a previsibilidade e a capacidade de atendimento à demanda. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.