16/Oct/2026
O mercado de concessões rodoviárias acompanha com atenção os resultados das eleições para governador em Estados considerados relevantes para o setor, especialmente Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Pará. A preocupação com a orientação dos futuros governos estaduais supera, entre agentes do segmento, a incerteza em torno da disputa presidencial. A avaliação predominante no setor é que o programa de concessões rodoviárias se consolidou como uma política de Estado e deverá prosseguir independentemente de quem assumir a Presidência da República. No âmbito estadual, porém, declarações contrárias à dinâmica de reajuste das tarifas de pedágio e ao formato de determinados projetos de concessão geram incertezas sobre a continuidade dos programas e o cumprimento dos contratos. Dos 20 governadores eleitos em primeiro turno em 2026, quatro nomes despertam atenção entre os agentes do mercado: Sérgio Moro (PL-PR), no Paraná; Luciano Zucco (PL-RS), no Rio Grande do Sul; Cleitinho (Republicanos-MG), em Minas Gerais; e Dr. Daniel (Podemos-PA), no Pará.
A preocupação está relacionada à possibilidade de adoção de medidas para conter tarifas, revisar contratos ou retomar rodovias concedidas sem considerar os efeitos sobre o equilíbrio econômico-financeiro dos projetos. Para as concessionárias e os investidores, intervenções desse tipo podem comprometer a execução dos investimentos previstos e elevar a percepção de risco regulatório. A avaliação do setor é que as tarifas de pedágio devem ser analisadas em conjunto com o volume de tráfego, as receitas projetadas, os custos operacionais, as obrigações de investimento e o prazo dos contratos. Nesse contexto, a indicação de equipes técnicas para os governos estaduais é considerada relevante para avaliar os efeitos de eventuais mudanças sobre a viabilidade das concessões. Em Minas Gerais, a principal preocupação envolve a possibilidade de suspensão ou revisão de reajustes tarifários previstos contratualmente. O governador eleito Cleitinho apresentou ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) um pedido para suspender temporariamente o reajuste dos pedágios nas rodovias administradas pela concessionária EPR Sul de Minas Gerais.
Para o mercado, a iniciativa pode ampliar o risco de judicialização e comprometer o equilíbrio financeiro dos contratos, sobretudo se a suspensão se prolongar e reduzir as receitas previstas. Um impasse sobre a aplicação das tarifas também pode afetar a prestação dos serviços e gerar custos adicionais. No Rio Grande do Sul, os agentes do setor demonstram preocupação com o ambiente de negócios e a continuidade do programa estadual de concessões. O mercado considera os questionamentos feitos ao modelo durante o governo de Eduardo Leite (PSD), inclusive no âmbito de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) que discutiu a condução do programa. Na avaliação de interlocutores do segmento, esse histórico já contribuiu para reduzir o interesse em projetos rodoviários no Estado, e novas incertezas podem voltar a afastar propostas de investimento. No Paraná, a preocupação está concentrada na possibilidade de redução das tarifas sem uma revisão compatível das obrigações contratuais. Na avaliação do setor, alterações que não preservem o equilíbrio econômico-financeiro dos projetos podem limitar a capacidade das concessionárias de executar obras e comprometer a conservação e a qualidade das rodovias.
No Pará, o principal ponto de atenção é a sinalização atribuída ao governador eleito Dr. Daniel de retomar concessões rodoviárias estaduais, em uma linha semelhante à defendida por ele na área de saneamento. Para investidores, uma eventual reversão de contratos pode ter efeitos que ultrapassam um projeto específico, caso seja interpretada como sinal de menor disposição do poder público para manter compromissos de longo prazo com a iniciativa privada. O cenário nos quatro Estados reforça a importância da previsibilidade regulatória para a continuidade dos investimentos em infraestrutura rodoviária. Para o mercado, mudanças nas tarifas, nas obrigações ou na estrutura das concessões precisam considerar a sustentabilidade financeira dos contratos, a execução das obras e a manutenção dos serviços ao longo dos prazos estabelecidos. Fonte: Broadcast. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.