16/Oct/2026
O Brasil aposta no Corredor Bioceânico de Capricórnio e na expansão da malha ferroviária do Centro-Oeste para reduzir os custos logísticos e ampliar a competitividade das exportações agrícolas, especialmente para a Ásia. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a implementação desses projetos poderá reduzir em até 40% os gastos com o transporte das exportações brasileiras. Com extensão estimada entre 2,3 mil e 2,4 mil quilômetros, o Corredor Bioceânico de Capricórnio conectará a região do Porto de Santos (SP) aos portos chilenos de Antofagasta, Mejillones e Iquique, atravessando Mato Grosso do Sul, Paraguai e Argentina. A expectativa é reduzir o tempo de transporte para a Ásia de aproximadamente 55 para 42 dias, encurtando o percurso em cerca de 13 dias.
No início de 2026, o Paraguai inaugurou o primeiro trecho da rota, enquanto a ponte entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta estava com aproximadamente 80% das obras concluídas. Em julho, o Brasil aderiu à Convenção TIR, mecanismo destinado a simplificar os procedimentos aduaneiros no transporte internacional de cargas. Na infraestrutura ferroviária, quatro projetos são considerados estratégicos para ampliar a capacidade de escoamento da produção agrícola. A Ferrogrão, com 933 quilômetros projetados, deverá conectar Sinop (MT) ao porto de Miritituba (PA), ampliando a integração da produção do Centro-Oeste aos corredores de exportação do Arco Norte. A ferrovia poderá transportar 40 milhões de toneladas de grãos por ano até 2050.
Entretanto, o projeto enfrenta atrasos, oposição de grupos indígenas e ambientais e questionamentos sobre sua viabilidade financeira, fatores que podem comprometer o cronograma de implantação. A Ferronorte, operada pela Rumo Logística, transporta soja e milho de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul ao Porto de Santos. A expansão prevista até Lucas do Rio Verde (MT), passando por Cuiabá, poderá incorporar novas regiões produtoras à malha ferroviária, ampliando as alternativas de transporte e reduzindo a dependência do modal rodoviário. Paralelamente, as ferrovias FATO e FICO deverão conectar áreas agrícolas de Mato Grosso e Goiás à Ferrovia Norte-Sul, aumentando a integração entre regiões produtoras e corredores de exportação.
A combinação do corredor bioceânico com a expansão ferroviária poderá diversificar as rotas de escoamento, ampliar a eficiência logística e fortalecer a competitividade do agronegócio brasileiro nos mercados internacionais, sobretudo na Ásia. A redução dos custos de transporte e dos prazos de entrega poderá melhorar as condições de acesso aos mercados importadores e ampliar as alternativas de movimentação da produção agrícola. A concretização desses benefícios, porém, dependerá da continuidade dos investimentos, da coordenação entre os países envolvidos e da superação de entraves financeiros, ambientais e regulatórios. A execução dos projetos será determinante para transformar a ampliação da infraestrutura em ganhos efetivos de eficiência e competitividade para as exportações brasileiras do agronegócio. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.