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15/Oct/2026

Fertilizantes: conflito no Oriente Médio eleva custos

Segundo o Itaú BBA, o Brasil deve encerrar 2026 com volume de entregas de fertilizantes inferior ao registrado em 2025, especialmente nos segmentos de nitrogenados e fosfatados. De janeiro a setembro, as importações brasileiras de adubos somaram 28,5 milhões de toneladas, queda de 15,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho reflete um ambiente internacional marcado por tensões geopolíticas, riscos logísticos e pressões sobre os custos de abastecimento. A intensificação dos conflitos no Oriente Médio manteve o petróleo Brent acima de US$ 100,00 por barril, elevando os custos de frete e os riscos nas rotas globais de fornecimento. Esse cenário afeta a formação dos preços dos fertilizantes e amplia as incertezas sobre a disponibilidade dos produtos importados pelo Brasil, que mantém elevada dependência externa para atender à demanda do agronegócio. Entre os principais fertilizantes, a ureia foi o único produto a registrar valorização no período. A cotação alcançou US$ 470,00 por tonelada na condição CFR Brasil, alta de 3% em relação ao início de setembro.

Na segunda metade do mês, o preço chegou a US$ 485,00 por tonelada, antes de recuar na última semana. Apesar da elevação recente das cotações, as importações brasileiras de ureia totalizaram 3,5 milhões de toneladas de janeiro a setembro, redução de 21,5% na comparação anual, indicando menor disponibilidade do insumo importado. No segmento de fosfatados, o fosfato monoamônico (MAP) foi cotado a US$ 830,00 por tonelada CFR Brasil, queda de 1,2% nos últimos 30 dias. As importações acumuladas de MAP e superfosfato simples (SSP) também recuaram em 2026, enquanto os dados de line-up indicam redução dos volumes previstos para outubro. A produção nacional de fertilizantes fosfatados tende a continuar limitada pelo encarecimento do enxofre importado, insumo utilizado na fabricação desses produtos. Em setembro de 2026, o enxofre atingiu US$ 1.161,00 por tonelada, valor aproximadamente três vezes superior ao registrado um ano antes. No segmento de potássicos, o cloreto de potássio (KCl) apresentou trajetória de queda, com a cotação passando de US$ 375,00 para US$ 355,00 por tonelada CFR Brasil, recuo de 5%.

Diferentemente dos nitrogenados e fosfatados, o mercado de potássio conta com oferta disponível e não enfrenta interrupções logísticas relevantes no período analisado. Esse quadro contribuiu para uma retração menos intensa das importações brasileiras do produto. De janeiro a setembro, as compras externas de cloreto de potássio somaram 10,8 milhões de toneladas, queda de 3,6% em relação ao mesmo intervalo de 2025, a menor redução entre os principais grupos de fertilizantes considerados no levantamento. O cenário indica que a combinação de conflitos geopolíticos, custos logísticos elevados e encarecimento de matérias-primas continuará condicionando o mercado brasileiro de fertilizantes. A retração das importações, mais acentuada em nitrogenados e fosfatados, pode limitar a disponibilidade desses insumos e aumentar a exposição dos produtores às oscilações internacionais de preços e fretes, enquanto a evolução das entregas até o fim do ano será determinante para avaliar o abastecimento do mercado nacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.