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14/Oct/2026

Máquinas: crise abre espaço para fusões e aquisições

A retração nas vendas de máquinas agrícolas novas e a pressão financeira sobre os produtores rurais ampliam as oportunidades de fusões e aquisições de concessionárias no Brasil. Fundos de investimento, grupos empresariais e grandes agricultores buscam ampliar a presença regional, ganhar escala operacional e fortalecer as receitas com manutenção e serviços de pós-venda. Em um mercado pulverizado, a consolidação também atende a estratégias de expansão geográfica, profissionalização da gestão e sucessão em empresas familiares. Os negócios variam de acordo com o tamanho das redes e o número de unidades envolvidas, mas as transações mais comuns movimentam entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões. A combinação entre dificuldades financeiras de parte das concessionárias e interesse de compradores com disponibilidade de capital favorece negociações, embora o movimento não esteja restrito a empresas em crise.

A aquisição de operações já estabelecidas permite acelerar a expansão territorial e incorporar estruturas de atendimento, equipes técnicas e estoques sem depender exclusivamente da abertura de novas lojas. A retração do mercado de equipamentos novos ajuda a dimensionar o cenário. Entre janeiro e agosto de 2026, as vendas de máquinas e equipamentos agrícolas recuaram 13,2% em relação ao mesmo período de 2025, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Em agosto, o faturamento do segmento apresentou queda de 15,5% na comparação anual. O desempenho reflete a menor demanda por máquinas novas em um ambiente marcado pelo endividamento dos produtores, pela rentabilidade pressionada e pelo custo elevado do crédito. Para as concessionárias, a desaceleração pode reduzir o ritmo de comercialização e dificultar a gestão dos estoques.

A intensidade dos efeitos, contudo, depende da estrutura financeira de cada empresa, das marcas representadas e da participação dos serviços de manutenção e pós-venda no faturamento. Nesse contexto, grupos com restrições de liquidez podem buscar compradores, enquanto empresas capitalizadas encontram oportunidades para ampliar suas operações e fortalecer a participação de mercado. A consultoria brasileira de fusões e aquisições Zaxo identifica dois polos de oportunidades: o Centro-Oeste, especialmente Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. O mercado também registra o interesse de fundos de investimento em concessionárias menores e grupos regionais, com aportes destinados à expansão territorial. A consolidação já apresenta exemplos concretos. Em 2024, a Primavera Máquinas, do Grupo RZK, adquiriu as concessionárias da Real Máquinas, representante da John Deere em Goiás.

A operação ampliou a rede para 11 lojas, com presença em mais de 30 municípios de Mato Grosso e Goiás, e fortaleceu a atuação da empresa em novas regiões goianas. Em novembro de 2025, a Agro Divel, braço de concessionárias New Holland do Grupo Fuganti, adquiriu 100% da Rodomac Tratores, em Santa Catarina. A transação dobrou a rede de três para seis lojas e ampliou a cobertura para 134 municípios. Na ocasião, o grupo também projetava inaugurar uma sétima unidade em 2026 e estimava faturamento de R$ 200 milhões naquele ano, considerando a expansão. O valor da aquisição não foi divulgado. Em 2026, a RZK Agro incorporou a Agrinorte, concessionária John Deere no Pará. Segundo a empresa, a operação elevou a rede para 20 lojas e ampliou a capacidade de atendimento na Região Norte. O valor da transação também não foi informado. Outro movimento ocorreu com a Tracbel. Após se tornar acionista da Itaeté Máquinas, concessionária John Deere no noroeste paulista, o grupo avançou sobre a Colorado Máquinas, que atuava no norte do Estado.

A integração das duas operações originou a Tracbel Agro, com 16 lojas e cobertura superior a 200 municípios. A estratégia combinou aquisições com o desenvolvimento de serviços tecnológicos e de pós-venda, reforçando a diversificação das fontes de receita. A expansão por aquisições pode acelerar o crescimento em um segmento que exige investimentos relevantes em estoques, equipes técnicas e estruturas de assistência. Além de ampliar a cobertura geográfica, a integração de operações permite aproveitar estruturas já instaladas e aumentar a escala dos serviços oferecidos aos clientes. A Zaxo também conduz a prospecção de investidores para uma rede de concessionárias com 11 unidades, em uma operação direcionada tanto a grupos estratégicos quanto a investidores financeiros. O trabalho começou há cerca de três meses e envolveu o mapeamento de aproximadamente 100 potenciais compradores.

Desse total, 20 demonstraram interesse inicial, e alguns avançaram para etapas de diligência, que incluem a análise de informações financeiras, operacionais e jurídicas antes da eventual apresentação de propostas. O nome da rede e o valor efetivo da operação não foram divulgados. A estimativa de transações entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões para redes desse porte serve como referência de mercado, mas não representa necessariamente o preço do negócio em negociação. A expectativa é avançar com o mandato até o fim de outubro de 2026, sem garantia de conclusão da venda nesse prazo. Grandes produtores rurais também começam a participar do segmento de distribuição de máquinas. A entrada desses agentes pode estar relacionada à possibilidade de obter equipamentos em condições comerciais mais favoráveis e organizar a renovação da frota, além de diversificar as atividades empresariais. Esse movimento amplia o perfil dos compradores e reforça o interesse pelo controle de operações que conectam fabricantes e produtores.

As fusões e aquisições também podem responder a desafios de sucessão e governança. Empresas familiares que cresceram sob a gestão dos fundadores podem recorrer à entrada de novos sócios, à captação de capital para expansão ou à adoção de estruturas administrativas mais profissionalizadas. A consolidação, portanto, combina oportunidades de crescimento com a necessidade de adaptação a um ambiente de margens pressionadas e demanda mais fraca. Para 2027, a expectativa é de recuperação tanto do mercado de máquinas novas quanto do segmento de equipamentos usados. Caso esse movimento se confirme, concessionárias que ampliarem a escala, fortalecerem o pós-venda e ajustarem sua estrutura financeira poderão estar mais bem posicionadas para aproveitar a retomada. Até lá, a combinação entre queda nas vendas, crédito caro e necessidade de capital tende a manter as aquisições como uma alternativa estratégica para reorganizar o setor. Fonte: CNN Brasil. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.