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14/Oct/2026

Diesel: importação ganha competitividade com subsídio

O aumento da subvenção ao diesel importado para R$ 3,52 por litro, anunciado pelo governo federal na semana passada, tornou as importações mais competitivas no mercado brasileiro, uma vez que o benefício supera a defasagem dos preços domésticos em relação às cotações internacionais. Entretanto, a incerteza sobre a duração do incentivo mantém dúvidas sobre a programação de compras, especialmente diante do prazo necessário entre a encomenda e a chegada do combustível ao País. Importadores temem que a subvenção termine em 26 de outubro, um dia após o segundo turno das eleições. A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) aponta que a defasagem do diesel vendido no Brasil em relação ao mercado internacional vem superando diariamente 100%, deixando o preço doméstico cerca de R$ 3,30 por litro abaixo do valor externo.

Nas refinarias da Petrobras, a diferença chegou a 104% no Porto de Suape, em Pernambuco, no fechamento de 9 de outubro. Na Refinaria de Mataripe, operada pela Acelen, na Bahia, a defasagem era de 40% na mesma data. Nesse cenário, a subvenção amplia o incentivo econômico para a entrada de cargas importadas, mas a efetividade da medida depende da manutenção do benefício durante o ciclo de aquisição e transporte. Para assegurar o abastecimento, a Petrobras estaria ampliando as importações de diesel em relação aos volumes habituais, segundo a Abicom, com o objetivo de compensar a paralisação da Refinaria Getúlio Vargas (Repar), no Paraná. A estatal adquiriu 650 mil metros cúbicos de diesel para outubro. O volume previsto para novembro ainda não havia sido divulgado. A ampliação das compras externas contribui para compensar a redução temporária da oferta doméstica, em um contexto de preços internos inferiores aos internacionais.

Outro fator de incerteza é a possibilidade de retomada das exportações de diesel da Rússia, após o aceno do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de suspender a proibição de importação do combustível russo. A Abicom considera que ainda não há clareza sobre a concretização dessa possibilidade nem sobre o volume que poderia voltar ao mercado internacional, especialmente após os ataques da Ucrânia a refinarias russas. Uma eventual retomada das exportações dependerá, portanto, tanto de decisões políticas quanto da capacidade efetiva de oferta da Rússia. Caso haja um acordo entre Trump e o presidente russo, Vladimir Putin, a ampliação da disponibilidade de diesel russo poderá pressionar as cotações internacionais. Os Estados Unidos, além de grandes consumidores do combustível, também figuram entre os principais exportadores, de modo que mudanças nos fluxos comerciais podem repercutir sobre os preços em diferentes mercados.

Uma eventual queda das cotações externas poderia reduzir os custos de importação e influenciar os preços domésticos brasileiros, embora a intensidade desse efeito dependa do volume efetivamente disponibilizado e das condições do mercado global. A trajetória do diesel no Brasil dependerá, assim, da duração da subvenção, da continuidade das importações para compensar restrições temporárias de oferta e da evolução do comércio internacional. Embora o incentivo de R$ 3,52 por litro tenha ampliado a competitividade das compras externas, a incerteza sobre seu prazo de validade pode dificultar decisões de importação com entrega futura. Ao mesmo tempo, uma eventual retomada das exportações russas poderá alterar o equilíbrio global de oferta e demanda, com reflexos potenciais sobre os preços do combustível. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.