14/Oct/2026
O Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 (PDE 2036), elaborado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), projeta investimentos de R$ 3,3 trilhões no setor energético brasileiro entre 2027 e 2036. Em consulta pública, o documento contempla petróleo, gás natural, eletricidade e biocombustíveis e apresenta perspectivas para atender à demanda nos próximos dez anos, considerando as condições econômicas, tecnológicas e regulatórias atuais. As projeções não constituem um cronograma obrigatório de obras, mas permitem identificar segmentos com potencial de expansão e oportunidades para fornecedores de equipamentos e serviços, além de alternativas para reduzir custos energéticos dos consumidores empresariais. Do total previsto, R$ 2,53 trilhões correspondem a petróleo e gás natural, R$ 638 bilhões ao setor elétrico e R$ 143 bilhões aos biocombustíveis.
A distribuição indica que a maior parcela dos investimentos continuará concentrada na exploração e produção de hidrocarbonetos, embora a expansão da geração elétrica, da infraestrutura de transmissão e das tecnologias de armazenamento também deva abrir mercados para empresas de diferentes portes. No setor elétrico, os investimentos projetados incluem R$ 415 bilhões em geração centralizada, R$ 127 bilhões em transmissão e R$ 96 bilhões em geração distribuída, principalmente sistemas solares instalados próximos aos consumidores. A capacidade instalada de geração deverá aumentar 110 gigawatts até 2036, acréscimo superior a 40% em relação à matriz elétrica atual. O plano também prevê a expansão de 31,9 mil quilômetros de linhas de transmissão, a instalação de 7,2 gigawatts em baterias e a implantação de 2 gigawatts em usinas hidrelétricas reversíveis, que armazenam energia por meio do bombeamento de água para reservatórios elevados.
A geração de eletricidade deverá crescer, em média, 3,2% ao ano, impulsionada pela eletrificação da economia e pela expansão de atividades intensivas em energia, como os data centers. O avanço das fontes solar e eólica aumenta a necessidade de soluções capazes de equilibrar a geração variável e o consumo ao longo do dia, ampliando a importância do armazenamento e da gestão da demanda. Nesse contexto, o armazenamento de energia constitui uma das frentes de oportunidade. A instalação de baterias poderá favorecer fabricantes e fornecedores de equipamentos, integradores de sistemas, empresas de engenharia e prestadores de serviços de operação e manutenção. A viabilidade econômica dos projetos, contudo, dependerá das condições de contratação, das regras de remuneração dos serviços prestados ao sistema elétrico e dos custos das tecnologias.
Outra frente está na gestão inteligente do consumo. O PDE prevê 4 gigawatts de capacidade de resposta da demanda até 2036, mecanismo pelo qual consumidores ajustam os horários de utilização de eletricidade para contribuir com o equilíbrio do sistema. Empresas industriais com processos produtivos flexíveis poderão encontrar oportunidades para reduzir despesas ou obter remuneração pela modulação do consumo, conforme os mecanismos de mercado que venham a ser estabelecidos. A eficiência energética também deverá ampliar seu espaço. A EPE estima que os ganhos de eficiência poderão evitar o consumo de 53 terawatts-hora (TWh) de eletricidade em 2036. Desse total, 31 TWh correspondem às edificações e 18 TWh à indústria. O volume projetado equivale a quase o dobro do consumo anual de energia de toda a cidade de São Paulo, incluindo comércio e indústria.
A redução do consumo poderá impulsionar a procura por motores mais eficientes, sistemas modernos de refrigeração e climatização, automação industrial e ferramentas digitais de monitoramento e controle de energia. Para os consumidores empresariais, a modernização de equipamentos e a adequação dos processos aos horários de maior custo podem gerar ganhos antes mesmo da execução dos grandes projetos previstos no plano. As oportunidades, entretanto, dependerão das características de cada segmento, do calendário de implantação dos investimentos e das exigências técnicas e financeiras dos projetos. Fornecedores precisarão avaliar sua capacidade competitiva e identificar nichos compatíveis com sua estrutura operacional. Para as empresas consumidoras, o mapeamento do perfil de demanda, dos horários de maior utilização e das fontes de desperdício pode orientar decisões sobre eficiência, geração própria e gestão energética. O ambiente regulatório será determinante para a formação desses mercados.
A expansão das baterias e dos mecanismos de resposta da demanda depende de regras que viabilizem a remuneração dos serviços prestados ao sistema elétrico. Por isso, as decisões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), os futuros leilões e as normas de acesso e participação deverão influenciar a transformação das projeções em contratos e investimentos efetivos. O PDE 2036 aponta, assim, para um ciclo de investimentos que combina expansão da oferta, modernização da infraestrutura e maior eficiência no uso da eletricidade. Embora petróleo e gás natural concentrem a maior parcela dos recursos projetados, transmissão, armazenamento, geração distribuída e eficiência energética poderão abrir oportunidades complementares para fornecedores e consumidores. A concretização desse potencial dependerá da evolução regulatória, da viabilidade econômica dos projetos e da capacidade das empresas de adaptar suas operações às mudanças no mercado de energia. Fonte: O Antagonista. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.