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09/Oct/2026

Fertilizantes: custos pressionarão margens em 2027

O aumento dos custos de produção absorvido na safra de grãos 2025/26 tende a reduzir a capitalização dos agricultores brasileiros e pressionar a rentabilidade das lavouras em 2026/27 e ao longo de 2027. O cenário é particularmente relevante diante da forte elevação das despesas com fertilizantes, que comprometeu as margens de soja, milho e algodão e pode limitar a capacidade de investimento dos produtores nos próximos ciclos. O custo de produção do milho aumentou 5% e o da soja avançou 13% ante a safra anterior, principalmente em razão das despesas com adubação. Os custos com fertilizantes subiram até 40% no milho, 35% no algodão e 30% na soja. A deterioração das relações de troca foi absorvida pelos produtores durante o ciclo 2025/26 e tende a afetar a capacidade de capitalização para as compras da 2ª safra de 2027 e para a formação da estrutura financeira de 2027. Em Mato Grosso, a produção de soja exige preços de R$ 137,00 por saca de 60 Kg para equilibrar a operação em áreas com produtividade de 65 sacas de 60 Kg por hectare.

No milho de alta tecnologia, com produtividade média de 110 sacas de 60 Kg por hectare, a receita cobriu os custos apenas de forma pontual. A pressão foi mais intensa na soja, cuja relação entre preços e custos não permitiu fechamento positivo das contas durante todo o ano de 2026. A melhora recente das relações de troca tende a beneficiar principalmente o plantio de 2027, já que parte relevante dos insumos utilizados no ciclo atual foi adquirida durante os períodos de preços mais elevados. A elevada dependência externa amplia a exposição do produtor brasileiro aos choques internacionais de custos. O Brasil atende cerca de 85% do consumo de fertilizantes por meio de importações, cujos volumes cresceram a uma taxa média de 7,5% ao ano entre 2000 e 2025. O bloqueio do Estreito de Ormuz e os conflitos no Oriente Médio iniciados em 28 de fevereiro de 2026 reduziram a oferta de nitrogenados e elevaram os custos de frete, transmitindo ao mercado brasileiro parte da pressão observada nos mercados internacionais.

O produtor enfrenta, assim, impactos simultâneos sobre os preços dos insumos e sobre a logística. A exposição brasileira às oscilações externas ocorre tanto pela dependência das importações quanto pela elevação dos custos de transporte e das matérias-primas. Nos momentos mais críticos, a ureia acumulou alta de até 70%, enquanto o sulfato de amônio avançou 40% e o nitrato de amônio, 63%. No milho, a relação de troca entre o produto e a ureia passou de uma média de 37 sacas de 60 Kg por tonelada de fertilizante para 75 sacas de 60 Kg por tonelada no auge do conflito. Na soja, a necessidade aumentou de 25 para quase 36 sacas de 60 Kg por tonelada de MAP. A deterioração da relação entre preços agrícolas e fertilizantes contribuiu para reduzir as importações brasileiras de nitrogenados em 2026, que ficaram cerca de 20% abaixo do volume de 2025. Nesse movimento, o sulfato de amônio ganhou participação em relação à ureia.

No mercado de fertilizantes fosfatados, a escassez global de enxofre acrescentou pressão aos custos industriais. As cotações da matéria-prima acumulariam alta de 1.800% entre 2020 e 2026, elevando o custo de fabricação do DAP para US$ 700,00 por tonelada, sem considerar a rocha fosfática. Com isso, MAP, TSP e SSP permanecem em níveis elevados de preços. A escassez de enxofre também contribuiu para a paralisação parcial da produção nacional de SSP, enquanto os estoques brasileiros de P2O5 recuaram 14% ante 2025. O quadro mantém a perspectiva de custos elevados e margens apertadas para o encerramento de 2026 e o início do próximo ciclo. Mesmo com a recente melhora das relações de troca, os efeitos dos preços elevados dos insumos adquiridos para a safra 2026/27 ainda devem permanecer sobre os resultados dos produtores, com potencial de limitar a capitalização e a capacidade de investimento para 2027. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.