08/Oct/2026
A licitação de compra de ureia da Índia, o aumento das exportações autorizadas pela China e as restrições de oferta associadas ao Estreito de Ormuz devem permanecer entre os principais fatores de decisão para as compras de fertilizantes nas próximas semanas. A Indian Potash Limited (IPL) conduz uma licitação para aquisição de 1,7 milhão de toneladas de ureia, enquanto o mercado acompanha o ritmo de participação chinesa e os impactos da interrupção do fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz. A licitação indiana já tem definido o número de participantes, mas os detalhes das ofertas ainda são aguardados pelo mercado. A China ganhou relevância no processo diante do aumento das autorizações para exportação de ureia. Historicamente, o país exportava entre 5 milhões e 5,5 milhões de toneladas por ano. No primeiro semestre de 2026, porém, os embarques somaram cerca de 500 mil toneladas.
A partir de julho, as exportações chinesas de ureia teriam acelerado, e o volume anual pode superar 10 milhões de toneladas. A China exporta tanto ureia granulada quanto ureia pastilhada, ampliando sua capacidade de atender diferentes segmentos e destinos do mercado internacional. A liberação de volumes adicionais pelo país altera a perspectiva de disponibilidade global e pode limitar a pressão sobre os preços caso o fluxo de exportações se mantenha elevado. Ao mesmo tempo, o mercado de fertilizantes recuou nas últimas semanas em meio ao aumento dos ataques a embarcações no Estreito de Ormuz. A intensificação do risco logístico compromete a possibilidade de trânsito de navios transportando ureia e fosfatos pela região, reduzindo as perspectivas de normalização do fluxo no curto prazo diante dos riscos para tripulações e proprietários das embarcações.
O Estreito de Ormuz permanece, portanto, como o principal ponto de monitoramento para as próximas semanas. A evolução do tráfego marítimo pela região será determinante para avaliar a disponibilidade efetiva de fertilizantes no mercado internacional, especialmente para produtos provenientes do Oriente Médio. Uma eventual manutenção das restrições pode limitar a oferta regional e elevar os custos logísticos, enquanto a retomada do fluxo tende a ampliar a disponibilidade e reduzir parte do prêmio associado ao risco geopolítico. Para o Brasil, que apresenta elevada dependência das importações de fertilizantes, a combinação entre a maior oferta potencial da China e as restrições logísticas no Oriente Médio cria vetores opostos para os preços. A maior disponibilidade de ureia chinesa pode aliviar a pressão sobre o mercado internacional, enquanto eventuais dificuldades de transporte pelo Estreito de Ormuz podem restringir a oferta e elevar custos de frete e reposição.
O mercado brasileiro também acompanha a evolução das compras da Índia, que podem estabelecer uma referência importante para os preços internacionais de ureia. O volume de 1,7 milhão de toneladas da licitação da IPL representa uma demanda relevante em um momento de recomposição das necessidades de fertilizantes para as próximas safras, tornando o resultado das ofertas um indicador importante para a formação das cotações. A combinação entre demanda indiana, maior disponibilidade chinesa e risco de interrupção dos fluxos pelo Estreito de Ormuz deve manter o mercado de fertilizantes sensível às decisões de compra e aos movimentos logísticos. Para os produtores brasileiros, o comportamento desses três fatores será relevante para definir o custo de aquisição de ureia e outros nutrientes nos próximos meses. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.