07/Oct/2026
O início da safra 2026/27 ocorre em um cenário de pressão sobre os custos dos fertilizantes importados utilizados pelo produtor brasileiro. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que o Brasil importou 2,97 milhões de toneladas de adubos e fertilizantes químicos em agosto, queda de 43,2% ante o mesmo mês de 2025. Apesar da forte retração do volume, o preço médio de importação aumentou 12,8% na mesma comparação, para US$ 403,20 por tonelada. A elevação dos preços vem sendo observada desde o segundo trimestre. Em julho, o preço médio dos fertilizantes importados havia aumentado 18,8% ante julho de 2025; em junho, a alta foi de 26,2%; e, em maio, de 18,2%. O comportamento dos preços coloca o custo das compras externas entre os principais pontos de atenção para o planejamento da produção agrícola brasileira, especialmente em um período de concentração das aquisições para a próxima safra. A exposição do Brasil ao mercado internacional permanece elevada.
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), aproximadamente 85% dos fertilizantes utilizados no País são importados. Essa dependência faz com que variações do câmbio, preços internacionais, disponibilidade de transporte, fretes marítimos, rotas comerciais e prazos de entrega sejam incorporados à formação do custo dos insumos utilizados nas lavouras brasileiras. A estrutura da cadeia internacional significa que o preço pago pelo produtor não é determinado apenas pela cotação do fertilizante no país de origem. A internalização do produto envolve custos de transporte, frete marítimo, rota utilizada, disponibilidade logística e prazo de entrega. Assim, alterações em qualquer desses componentes podem elevar ou aumentar a volatilidade do custo final do fertilizante no mercado brasileiro. Levantamento divulgado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em maio já indicava pressão sobre a cadeia de abastecimento.
Entre janeiro e abril de 2026, as importações brasileiras de fertilizantes nitrogenados e fosfatados recuaram 4% em volume ante o mesmo período de 2025, enquanto o valor desembolsado pelo País aumentou 16%. O movimento evidencia a combinação entre menor volume adquirido e maior custo médio de internalização. A concentração das fontes de fornecimento acrescenta outro componente de risco. Em 2025, a Rússia respondeu por 25,9% das importações brasileiras de fertilizantes, seguida pela China, com 18,8%, enquanto os países do Oriente Médio representaram 14,5%. Entre os fertilizantes nitrogenados, aproximadamente 22% das compras brasileiras tiveram origem no Oriente Médio. Nesse contexto, a exposição a poucos mercados fornecedores aumenta a necessidade de monitoramento das condições internacionais e de possíveis gargalos logísticos. Alterações de rotas, redução da disponibilidade de transporte ou problemas em regiões fornecedoras podem modificar simultaneamente os prazos e os custos de entrega. Como os fertilizantes estão diretamente vinculados ao calendário agrícola, a previsibilidade logística também apresenta valor econômico para importadores, distribuidores e produtores.
A pressão sobre os custos ganha relevância diante da dimensão projetada para a safra brasileira de grãos. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima produção de 366,6 milhões de toneladas em 2026/27, aumento de 1,4% ante o ciclo anterior, em uma área de 85,3 milhões de hectares. O crescimento da produção mantém elevada a necessidade de insumos e reforça a importância da disponibilidade e do custo dos fertilizantes para a formação das margens agrícolas. A alta dos preços dos fertilizantes importados, entretanto, não representa necessariamente risco imediato de desabastecimento. O principal ponto de atenção está na combinação entre dependência externa, preços internacionais e custos de internalização, em um mercado no qual o planejamento das compras precisa acompanhar o calendário de plantio e as necessidades nutricionais das culturas. A diversificação das fontes de fornecimento ganha importância nesse cenário.
A ampliação do número de mercados de origem, o planejamento antecipado das compras e a organização logística podem reduzir a exposição dos importadores a interrupções ou mudanças abruptas nas condições internacionais. Essas medidas não eliminam a volatilidade dos preços globais, mas podem reduzir os riscos associados à concentração de fornecedores e às decisões de compra realizadas em períodos de maior pressão. A dependência estrutural do mercado externo também levou o Brasil a buscar alternativas de longo prazo. Em setembro, foi instituído o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), com objetivos de ampliar a produção nacional, reduzir a dependência externa e diminuir os custos da cadeia de insumos para a agropecuária. Enquanto o aumento da capacidade doméstica de produção permanece como estratégia de longo prazo, o custo dos fertilizantes utilizados na safra 2026/27 continuará exposto às condições do mercado internacional. Câmbio, preços globais, fretes, disponibilidade de transporte, origem dos produtos e fatores geopolíticos permanecem como variáveis relevantes para a formação dos custos que chegam às lavouras brasileiras. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.