06/Oct/2026
Segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), as entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 3,96 milhões de toneladas em julho de 2026, queda de 22,3% ante os 5,09 milhões de toneladas registrados em igual mês de 2025. No acumulado de janeiro a julho, as entregas totalizaram 22,98 milhões de toneladas, recuo de 8,8% em relação às 25,21 milhões de toneladas contabilizadas no mesmo período de 2025. No primeiro trimestre, o mercado foi favorecido pelo desempenho positivo da 2ª safra de milho, enquanto as compras permaneceram em ritmo considerado normal no início do ano. A partir do início da guerra no Irã, porém, houve arrefecimento na contratação de novos negócios, movimento que passou a aparecer nos dados de entregas a partir de maio. A redução do ritmo de compras tende a afetar o suprimento de fertilizantes para a safra 2026/27. Mato Grosso permaneceu como principal Estado em volume de entregas, com 5,83 milhões de toneladas entre janeiro e julho, equivalentes a 25,4% do total nacional.
Na sequência, aparecem Paraná, com 2,60 milhões de toneladas; Goiás, com 2,45 milhões; São Paulo, com 2,36 milhões; Rio Grande do Sul, com 1,70 milhão; Bahia, com 1,65 milhão; e Minas Gerais, com 1,64 milhão. O mercado brasileiro chegou à segunda quinzena de setembro com sinais de desaceleração na entrada de fertilizantes. O ritmo das importações, o custo dos nutrientes, a disponibilidade de crédito e a capacidade de compra dos produtores são fatores determinantes para a evolução do mercado. Setembro tem importância estratégica para o abastecimento, pois a redução dos volumes contratados e importados nesta etapa aumenta a necessidade de acompanhamento dos estoques disponíveis para os próximos ciclos de aplicação. O cenário combina perspectiva de safra brasileira elevada, que mantém a demanda estrutural por fertilizantes, com importações mais lentas, redução das entregas domésticas e menor capacidade financeira dos produtores no período crítico de aquisição de insumos.
Caso esse quadro persista, a disponibilidade de fertilizantes para os próximos meses poderá ficar mais ajustada. Entre os nutrientes, os nitrogenados concentram maior preocupação. As importações de nitrogênio contido em ureia, sulfato de amônio e nitrato de amônio ficaram cerca de 20% abaixo do registrado nos oito primeiros meses de 2025. A retração ganha relevância porque a segunda metade do ano normalmente concentra aceleração das compras de nitrogenados, associada principalmente ao planejamento das próximas safras e às aplicações na cultura do milho. Embora a expansão da produção agrícola brasileira sustente a demanda estrutural por nutrientes, o principal fator de mudança no mercado está relacionado à capacidade financeira e ao momento de decisão de compra dos produtores. Se as importações permanecerem abaixo do ritmo observado em 2025 enquanto a demanda agrícola avançar, o mercado poderá entrar nos próximos meses com menor folga de estoques.
Por outro lado, o desembarque efetivo das cargas programadas e uma eventual recuperação das compras dos produtores podem reduzir parte da pressão sobre a disponibilidade. A produção nacional de fertilizantes intermediários somou 517 mil toneladas em julho de 2026, queda de 19,9% ante julho de 2025. De janeiro a julho, foram produzidas 3,34 milhões de toneladas, recuo de 19,7% em relação às 4,16 milhões de toneladas registradas em igual período de 2025. A retração da produção doméstica está associada principalmente à produção brasileira de fertilizantes fosfatados e à elevação contínua dos preços do enxofre, insumo necessário para essa atividade. Apesar dos esforços junto às empresas e de mudanças societárias ou retomadas de produção em determinados ativos, parte da produção nacional não foi capturada nos dados do período, especialmente nos segmentos de ureia e cloreto de potássio. As importações de fertilizantes intermediários totalizaram 3,54 milhões de toneladas em julho, queda de 21,4% ante igual mês de 2025.
No acumulado de janeiro a julho de 2026, as importações somaram 21,23 milhões de toneladas, retração de 7,6% em relação às 22,98 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano passado. No Porto de Paranaguá (PR), principal porta de entrada de fertilizantes no País, ingressaram 5,40 milhões de toneladas entre janeiro e julho, queda de 10,0% ante os 6,0 milhões de toneladas desembarcados em igual período de 2025. O terminal respondeu por 25,4% do total importado pelos portos brasileiros. O conjunto dos indicadores aponta para um mercado de fertilizantes mais ajustado na passagem para o ciclo 2026/27, com queda simultânea das entregas domésticas, redução da produção nacional e menor ritmo de importações. A maior atenção recai sobre os nitrogenados, cuja demanda tende a ganhar intensidade no segundo semestre, elevando a importância da regularização dos desembarques e da recomposição da capacidade de compra dos produtores para evitar maior compressão dos estoques disponíveis. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.