06/Oct/2026
O volume de ureia importado pelo Brasil entre janeiro e agosto de 2026 foi o menor dos últimos 10 anos, em um cenário que coincide com uma estimativa de déficit de aproximadamente 600 mil toneladas do fertilizante no mercado ocidental no quarto trimestre. Segundo a Argus, a combinação entre menor disponibilidade internacional e postergação das compras no mercado brasileiro aumenta a pressão sobre a janela de aquisição de nitrogenados para a 2ª safra de milho de 2027, cuja semeadura começa em meados de janeiro nos principais Estados produtores. Produtores e importadores vêm postergando as compras de nitrogenados, apesar da necessidade do insumo para o cultivo do milho. A oferta de ureia no mercado ocidental enfrenta restrições, o que aumenta a necessidade de o Brasil garantir antecipadamente volumes suficientes para atender à demanda da 2ª safra de 2027. Além da ureia, a disponibilidade de sulfato de amônio também é afetada pelas cotas de exportação impostas pela China.
O mercado chinês responde por cerca de 99% do sulfato de amônio importado pelo Brasil. O produto apresenta concentração de 21% de nitrogênio, enquanto a ureia possui 46%. Diante do desconto atual no custo do nutriente obtido por meio da ureia em relação ao sulfato de amônio, agricultores avaliam a substituição entre os dois produtos. Na ureia, a participação da China nas importações brasileiras permaneceu, em média, abaixo de 3% nos últimos cinco anos. Apesar da baixa participação histórica, ofertas recentes indicam preços chineses entre US$ 15,00 e US$ 20,00 por tonelada inferiores aos de origens tradicionais, ampliando a competitividade do produto asiático. No Oriente Médio, problemas logísticos relacionados ao Estreito de Ormuz continuam afetando o escoamento de nitrogenados e fosfatados. No início de setembro, 12 embarcações carregadas ou destinadas ao transporte de ureia aguardavam carregamento ou passagem pelos portos do Golfo Pérsico.
Na Arábia Saudita, responsável por 15% das importações brasileiras de fertilizantes fosfatados e terceira principal origem, atrás da Rússia, a ureia produzida na costa leste passou a ser transportada por caminhões até o porto de Yanbu, na costa oeste. A partir desse ponto, o produto é direcionado para embarque pelo Estreito de Bab el-Mandeb, movimento que eleva os custos logísticos. No mercado de cloreto de potássio (KCl), os preços no Brasil estão abaixo de US$ 400 por tonelada na base CFR, depois de terem superado US$ 1.000,00 por tonelada em 2022. As importações brasileiras do insumo recuaram no acumulado de janeiro a agosto em relação ao mesmo período do ano anterior. A Bielorrússia alterou as rotas de escoamento de seu potássio, direcionando os fluxos da Lituânia para a Rússia e a China. Paralelamente, os Estados Unidos receberam o primeiro lote de cloreto de potássio bielorrusso em quatro anos, indicando mudanças nos fluxos internacionais de comercialização do fertilizante.
No mercado internacional de ureia, a Índia deverá realizar pelo menos três leilões de compra, com o objetivo de adquirir entre 4,5 milhões e 5 milhões de toneladas até abril. A movimentação indiana representa um importante componente adicional de demanda em um mercado ocidental que já apresenta restrição de oferta e pode ampliar a disputa por cargas disponíveis. No Brasil, o consumo de fertilizantes alcançou 49 milhões de toneladas em 2025, com dependência de aproximadamente 85% das importações em relação ao consumo total. A elevada dependência externa mantém o mercado brasileiro exposto a restrições de oferta, alterações nas rotas de comércio, custos de frete e logística internacional e movimentos de grandes compradores globais. O Plano Nacional de Fertilizantes estabelece metas para reduzir essa dependência até 2050. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.