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02/Oct/2026

Fertilizantes: fosfatados elevam custos de produção

Segundo o Bradesco, os fertilizantes fosfatados e o diesel devem elevar os custos de produção de grãos na safra 2026/27, mas a recuperação dos preços agrícolas tende a compensar parte dessa pressão e permitir margens superiores às observadas no ciclo anterior. Os custos devem crescer 4,1% na soja e 4,3% no milho de 2ª safra de 2027. A melhora da rentabilidade, contudo, permanece condicionada ao desempenho das lavouras, diante dos riscos de perdas de produtividade associados ao El Niño. Na safra de verão (1ª safra 2026/2027), os fertilizantes concentraram os impactos do conflito no Estreito de Ormuz sobre os custos de produção. As restrições na rota reduziram a disponibilidade global de enxofre, utilizado na fabricação de fertilizantes fosfatados, e também limitaram a oferta de nitrogenados, elevando os preços dos dois grupos de produtos.

Como as aquisições dos insumos ocorreram durante o período de valorização, o custo da adubação da soja avançou cerca de 15% em relação à temporada 2025/26. Para o plantio realizado no primeiro semestre de 2027, a principal pressão sobre os custos passa dos fertilizantes para as operações agrícolas. A compra mais tardia dos adubos possibilitou aquisições após o recuo da ureia para níveis anteriores ao conflito, enquanto os fertilizantes fosfatados permaneceram como fonte de pressão. Nesse cenário, as operações agrícolas assumiram a maior contribuição para a alta dos custos, refletindo principalmente o aumento das despesas com diesel. No milho, os gastos com operações avançaram cerca de 7%. Os defensivos agrícolas também apresentaram leve valorização na 2ª safra de 2027.

O movimento é associado à transmissão gradual dos efeitos do conflito sobre a cadeia petroquímica para os preços dos produtos utilizados nas lavouras. As sementes, por outro lado, contribuíram para limitar o avanço do custo total, com preços próximos aos registrados na temporada anterior na maior parte das culturas. Na soja, a política comercial mais agressiva das empresas fornecedoras de sementes resultou em redução de aproximadamente 10% no custo desse insumo por hectare, compensando parte da pressão exercida pelos fertilizantes. No quadro de custos de Mato Grosso apresentado pelo Bradesco, a despesa por hectare com a oleaginosa aumenta de R$ 4.654,00 em 2025/26 para R$ 4.843,00 em 2026/27. A expectativa de recuperação das margens está relacionada à continuidade da valorização dos preços dos grãos ao longo da comercialização.

Para a soja, o Bradesco projeta crescimento da demanda global em ritmo superior ao avanço da oferta, com os biocombustíveis como um dos principais vetores desse movimento. No milho, o déficit mundial tende a sustentar as cotações. O banco estima alta de 15% no preço médio na Bolsa de Chicago na safra 2026/27, embora parte desse movimento já esteja incorporada às cotações. Mesmo permanecendo abaixo dos melhores resultados históricos do setor, a margem projetada para 2026/27 deve ficar ligeiramente acima da observada em 2025/26, mantendo a rentabilidade dos produtores em níveis mais adequados. O cenário, porém, depende da manutenção da produtividade das lavouras. Eventuais perdas provocadas pelo El Niño podem comprometer a recuperação das margens, enquanto a ausência de perdas relevantes mantém um quadro mais favorável para a rentabilidade dos produtores. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.