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01/Oct/2026

Fertilizantes e riscos à segurança alimentar global

Interrupções no fornecimento de insumos essenciais, especialmente fertilizantes, geram impactos que ultrapassam a indústria química e elevam os riscos para a segurança alimentar global. A Associação Internacional da Indústria de Fertilizantes (IFA) estima que a retirada de aproximadamente 8 milhões de toneladas de ureia do mercado internacional, em situações semelhantes aos gargalos observados ao longo de 2026, poderia resultar em perdas de 75 milhões a 100 milhões de toneladas de trigo, em um mercado mundial com produção pouco acima de 800 milhões de toneladas do cereal. A dependência da produção agrícola em relação aos fertilizantes nitrogenados permanece estrutural. Cerca de metade dos alimentos consumidos no mundo depende do processo Haber-Bosch, utilizado na conversão de gás natural em fertilizantes nitrogenados.

A oferta de um único fabricante, por sua vez, é suficiente para contribuir com o abastecimento alimentar de aproximadamente 5% da população mundial. Nesse contexto, instabilidades no fornecimento de energia têm efeito direto sobre os custos de fabricação, a formação de preços e o comércio de fertilizantes e demais produtos de nutrição vegetal. Esses impactos são posteriormente transmitidos ao campo, influenciando decisões de plantio, aplicação de insumos e produtividade das lavouras. A análise da IFA também aponta que gargalos no Estreito de Ormuz e entraves regulatórios relacionados aos serviços de certificação sanitária de cargas marítimas prejudicam a logística de abastecimento de grãos e de operações humanitárias. A combinação desses fatores reforça a necessidade de incorporar fertilizantes, energia e transporte marítimo às estratégias globais de segurança e abastecimento alimentar.

Nesse cenário, as metas ambientais para o setor agrícola e de fertilizantes precisam considerar a capacidade de absorção de choques de preços, restrições de oferta e gargalos logísticos, de forma a evitar que exigências de transição comprometam a viabilidade econômica das atividades dos produtores. Entre as alternativas para uma transição com maior resiliência estão a amônia de baixo carbono, os fertilizantes de eficiência aumentada e os produtos biológicos. Para ampliar a adoção dessas tecnologias, são necessários estímulos à demanda, instrumentos de financiamento vinculados à resiliência e sistemas eficientes de mensuração e verificação da pegada de carbono, capazes de dar maior previsibilidade aos investimentos em escala. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.