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28/Sep/2026

Fertilizantes: Brasil negocia ureia com Pampa Energía

A Pampa Energía, empresa de energia da Argentina, iniciou tratativas com o governo brasileiro para avaliar o fornecimento de ureia ao País. O presidente do Conselho de Administração da companhia, Marcelo Mindlin, reuniu-se em Buenos Aires com o secretário executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Cleber Oliveira Soares, para discutir o potencial de suprimento regional do fertilizante. O objetivo das conversas é avaliar alternativas para diversificar as fontes de abastecimento do Brasil, que importa até 8 milhões de toneladas de ureia por ano e mais de 90% dos insumos utilizados no agronegócio. A iniciativa ocorre em um contexto de elevada dependência brasileira do mercado internacional de fertilizantes e de busca por fornecedores geograficamente mais próximos.

Em julho, a Pampa Energía anunciou investimento de US$ 2,7 bilhões para a construção de uma unidade industrial em Bahía Blanca, na província de Buenos Aires, com capacidade estimada de produzir 2,1 milhões de toneladas de ureia até o fim de 2029. A fábrica terá conexão direta com gasodutos provenientes de Vaca Muerta, na Patagônia argentina, considerada a segunda maior reserva de gás de xisto do mundo. A produção da unidade será destinada ao mercado interno argentino e às exportações para o Brasil. A disponibilidade de gás de Vaca Muerta é apontada pela companhia como fator para a produção competitiva de ureia e para a criação de um fluxo comercial regional de fertilizantes.

Nesse modelo, o Brasil aparece como mercado potencial para absorção de parte relevante da produção argentina. O empreendimento é considerado o maior investimento da história da Pampa Energía e deverá gerar mais de 3.500 empregos diretos durante o pico das obras. Quando entrar em operação, a expectativa é movimentar cerca de US$ 1 bilhão por ano, considerando a substituição de importações na Argentina e as exportações. As tratativas entre Brasil e Argentina reforçam a articulação para a formação de um eixo regional de fornecimento de insumos agrícolas e para a redução da dependência de fornecedores do Hemisfério Norte

Em debate promovido pela Bolsa de Cereais de Buenos Aires em 22 de setembro, Soares reiterou o interesse brasileiro na produção argentina, incluindo combustíveis, gás e fertilizantes. A aproximação ocorre em um momento em que o Brasil mantém elevada dependência externa para o abastecimento de fertilizantes. A possibilidade de ampliar o fornecimento regional de ureia a partir da Argentina, apoiado pela disponibilidade de gás de Vaca Muerta, pode contribuir para diversificar as origens das importações brasileiras e reduzir a exposição logística a mercados mais distantes. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.